O Pará registrou taxa de 27,4 homicídios por 100 mil habitantes em 2024, índice superior à média nacional de 20,1 mortes por 100 mil habitantes, segundo dados do Atlas da Violência 2026, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
Apesar da redução nacional nos assassinatos e do menor patamar registrado pelo Brasil em 11 anos, o Pará continua entre os estados com índices elevados de violência letal, acima da média brasileira e de estados do Sul e Sudeste.
Ao todo, o Brasil registrou oficialmente 42.590 homicídios em 2024, queda de 7,4% em relação ao ano anterior.
Pará permanece entre os estados com violência elevada
Com taxa de 27,4 homicídios por 100 mil habitantes, o Pará aparece acima de estados como Minas Gerais (12,8), Distrito Federal (10,3), Santa Catarina (8,1) e São Paulo (6,6), que teve o menor índice do país.
Na Região Norte, o Pará ficou abaixo apenas de estados como Amazonas (32,2) e Amapá (45,7), este último com a maior taxa do Brasil.
Taxas de homicídios na Região Norte em 2024:
- Amapá — 45,7
- Amazonas — 32,2
- Rondônia — 30,3
- Roraima — 27,8
- Pará — 27,4
- Acre — 20,2
- Tocantins — 19,8
Os pesquisadores apontam que, embora o cenário nacional seja de redução, o Norte ainda sofre forte influência das disputas ligadas ao narcotráfico, principalmente por causa das rotas de circulação de drogas e armas na Amazônia.
Narcotráfico e disputa territorial seguem impactando a região
De acordo com Daniel Cerqueira, coordenador do Atlas da Violência, a redução nacional dos homicídios está relacionada, em parte, a uma “acomodação” da guerra entre facções criminosas iniciada em 2016 e 2017.
Segundo ele, estados localizados em corredores estratégicos do tráfico sofreram forte impacto da violência nos últimos anos, principalmente nas regiões Norte e Nordeste.
“Essa guerra foi mais intensa em 2016 e 2017. Em 2018, os homicídios começam a cair e começa também um processo de acomodação”, explicou o pesquisador do Ipea.
O Pará, por sua posição geográfica estratégica, permanece como uma área importante de circulação logística para organizações criminosas, o que ajuda a explicar a manutenção de índices elevados de violência letal em várias regiões do estado.
Número real pode ser maior
O Atlas da Violência também alerta para a possibilidade de subnotificação nos dados oficiais. Isso ocorre por causa do aumento das chamadas Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI), casos em que não é possível definir oficialmente se a morte ocorreu por homicídio, acidente ou suicídio.
Considerando os chamados “homicídios ocultos”, os pesquisadores estimam que o Brasil pode ter registrado, na realidade, 49.673 homicídios em 2024, com taxa de 23,4 mortes por 100 mil habitantes.
Nesse cenário ampliado, a queda nacional seria muito menor: apenas 0,4%.
Brasil registra menor taxa em 11 anos
Mesmo com os desafios regionais, o levantamento mostra que o Brasil alcançou em 2024 a menor taxa oficial de homicídios desde 2013.
Os menores índices do país foram registrados em:
- São Paulo — 6,6
- Santa Catarina — 8,1
- Distrito Federal — 10,3
- Minas Gerais — 12,8
Já os maiores índices ficaram concentrados principalmente no Norte e Nordeste:
- Amapá — 45,7
- Bahia — 40,9
- Pernambuco — 37,3
- Alagoas — 35,9
- Ceará — 34,3
O Atlas da Violência é elaborado anualmente pelo Ipea em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública e utiliza dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde.



