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Pará lidera ranking de desmatamento e degradação florestal em 2024

Estado registra maior perda de floresta da Amazônia pelo nono ano consecutivo, enquanto a degradação alcança recorde histórico

Em 2024, a Floresta Amazônica registrou o segundo ano consecutivo de queda no desmatamento, mas a degradação florestal aumentou de forma expressiva, alcançando 36.379 km², um crescimento de 497% em relação a 2023. O Pará liderou ambos os rankings de destruição, consolidando-se como o estado que mais desmata a Amazônia pelo nono ano consecutivo.

Foram derrubados 3.739 km² de floresta na Amazônia em 2024, uma redução de 7% em comparação a 2023, quando a perda chegou a 4.030 km². No entanto, a degradação florestal, caracterizada por queimadas e extração de madeira, teve um aumento histórico, com o Pará respondendo por 17.195 km², o equivalente a 421% a mais do que no ano anterior.

Liderança do Pará no desmatamento e degradação
O Pará teve 1.260 km² de floresta desmatados em 2024, uma alta de 3% em relação a 2023, quando o total foi de 1.228 km². Entre as áreas mais atingidas estão a terra indígena Cachoeira Seca, nos municípios de Altamira, Placas e Uruará, que perdeu 14 km² de floresta, um aumento de 56% em relação ao ano anterior, e a Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, que registrou 51 km² de desmatamento, apesar da redução de 39% em comparação a 2023.

Além disso, o Pará também concentra os maiores índices de degradação florestal. O território indígena Kayapó registrou 4.928 km² degradados, enquanto a APA Triunfo do Xingu sofreu com 1.426 km² de danos.

Seca extrema e aumento das queimadas
Segundo pesquisadores do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Imazon), a degradação florestal atingiu o maior índice dos últimos 15 anos devido à seca extrema na região e ao aumento expressivo das queimadas, especialmente nos meses de agosto e setembro, quando a degradação cresceu mais de 1.000%.

Carlos Souza, coordenador do Programa de Monitoramento da Amazônia do Imazon, explica que a seca levou a queimadas até mesmo em áreas úmidas da floresta, o que agrava a vulnerabilidade da Amazônia e aumenta as emissões de carbono:

— Foram dois anos consecutivos de seca extrema, o que levou à maior emissão de carbono pela degradação associada às queimadas do que pelo próprio desmatamento em 2024.

Perspectivas para 2025
Para o início de 2025, a expectativa é de redução nos índices de desmatamento e degradação devido ao período de chuvas, conhecido como “inverno amazônico”. No entanto, pesquisadores alertam para a necessidade de ações imediatas de fiscalização e conservação.

— É essencial destinar as terras públicas sem uso definido para a conservação e fortalecer medidas de combate à grilagem, além de punir desmatadores ilegais — destaca Souza.

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