O Pará deve consolidar ainda mais sua posição como um dos principais polos da mineração brasileira nos próximos anos. Segundo projeção do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), o estado deverá receber US$ 14,66 bilhões em investimentos entre 2026 e 2030, o equivalente a aproximadamente R$ 73,3 bilhões.
O volume representa pouco mais de 19% de todos os investimentos previstos para o setor mineral no Brasil durante o período, mantendo o Pará como o segundo maior produtor mineral do país, atrás apenas de Minas Gerais.
Além do protagonismo na produção, o estado também se destaca pelo peso na economia nacional da mineração. Em 2025, as empresas que atuam no Pará responderam por R$ 103,1 bilhões dos R$ 298,8 bilhões faturados pelo setor em todo o país, participação superior a um terço da receita nacional.
O território paraense abriga a Serra dos Carajás, considerada a maior mina de minério de ferro a céu aberto do mundo, além de importantes reservas de cobre, níquel, bauxita e outros minerais estratégicos para a transição energética global.
Os investimentos anunciados envolvem tanto a ampliação da produção quanto projetos voltados à sustentabilidade e à modernização das operações.
A Mineração Rio do Norte (MRN), por exemplo, investirá R$ 900 milhões na construção de uma linha de transmissão para conectar suas operações ao Sistema Interligado Nacional, permitindo o uso de energia renovável e reduzindo em cerca de 21% sua pegada de carbono a partir de 2027. A empresa também prevê aproximadamente R$ 9 bilhões em investimentos até 2041 para garantir a continuidade da produção de bauxita.
A Vale também mantém o Pará como prioridade em sua estratégia de expansão. A companhia pretende dobrar sua produção de cobre até 2035 e ampliar significativamente a produção de níquel, concentrando os novos projetos na província mineral de Carajás. A mineradora já anunciou investimentos de R$ 70 bilhões entre 2025 e 2030 para sustentar a produção de minério de ferro e ampliar a extração de minerais considerados essenciais para a economia de baixo carbono.
Outra empresa que amplia investimentos no estado é a Alcoa. Em Juruti, no oeste paraense, a companhia trabalha na substituição de geradores movidos a diesel por energia elétrica proveniente do Sistema Interligado Nacional, além de investir em logística para o transporte de bauxita. A expectativa é reduzir em até 50% as emissões de gases de efeito estufa até 2030.
Apesar do potencial mineral, o setor ainda enfrenta desafios na Amazônia, como a necessidade de ampliar a infraestrutura logística, modernizar corredores de transporte e equilibrar a expansão da atividade com as exigências ambientais.
Além do minério de ferro, cobre, níquel e bauxita, especialistas apontam que o Pará também possui potencial para integrar a futura cadeia brasileira de terras raras, minerais considerados estratégicos para a fabricação de veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, turbinas eólicas e outras tecnologias ligadas à transição energética.
Com novos investimentos previstos para os próximos anos, o estado tende a reforçar sua importância tanto para a economia brasileira quanto para o mercado internacional de minerais estratégicos.



