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O que é e o que não é democracia

Por Eduardo Cunha

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou, nesta terça-feira, 16, a prisão em flagrante do deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ) por publicar em suas redes sociais um vídeo cujo conteúdo traria ofensas, ameaças e pedido de fechamento do Supremo, segundo o ministro.

Na decisão, o ministro afirma que o parlamentar é “reiterante” na prática criminosa e fundamenta a sua prisão na suposta periculosidade do parlamentar, haja vista a grande repercussão do vídeo no YouTube, que já conta com mais de 55 mil acessos.

Não posso deixar de observar a semelhança deste caso com àqueles de segurança nacional dos anos de chumbo, em que jornalistas, artistas e políticos eram censurados e perseguidos por veicular conteúdo subversivo.

ORA MINISTRO, HÁ TANTO QUANTO, OU ATÉ MAIS DITADURA, NAQUELE QUE PROÍBE DE FALAR EM DITADURA DO QUE NAQUELE OUTRO QUE A PROPÕE.

Se é certo que alguns conteúdos, por vezes meramente equivocados, por outro ideologicamente questionadores, colocam em dúvida a própria democracia, não seria correto vencê-los no campo das ideias, no campo do debate?

Ou seja, as democracias, para serem essencialmente democracias, não deveriam conviver harmônica e dialeticamente com a não-democracia? Ou seja, com o pensamento oposto?

Fica a indagação: será que para preservar a frágil democracia teremos que mandar prender todos aqueles que a criticam, manifestando-se a favor de regimes “não tão democráticos assim”?

Será que o “tiozinho do zap”, com toda sua ingênua indignação contra o STF, é mais perigoso às instituições que os “velhos comunistas”, viúvas do muro de Berlim, em cujos estatutos estão presentes a ditadura do proletariado e a tal “revolucion”?

Alexandre vai mandar queimar os livros de Marx nas bibliotecas? Vai mandar retirar do YouTube discursos Stédile e Leonardo Boff ?

O que dizer então dos saudosistas da monarquia, vamos jogá-los nas masmorras?

O que está acontecendo com a democracia? Onde foi parar aquela máxima do ideário iluminista muito bem sintetizada em frase atribuída ao pesnador Voltaire “Posso não concordar com o que dizes, mas lutarei até a morte pelo direito de dizê-lo”?

Deixo aqui uma frase para refletirmos “o demônio, muitas das vezes, está mais na cabeça do inquisidor que do inquirido”….a ditadura, pelo visto, também.

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