
As famosas latinhas de peixes do mar como sardinha e atum terão um concorrente de peso em breve, e 100% nacional. O Brasil está em vias de ter seu primeiro peixe de água doce enlatado, o matrinxã, típico da Amazônia. O anúncio foi feito pela Embrapa, que aposta na produção no Tocantins.
“A espécie tem alto potencial para substituir a famosa sardinha em conserva. Isso porque o matrinxã tem uma carne muito apreciada pelos consumidores, rápido crescimento e formato adequado ao enlatamento”, dizem pesquisadores da Embrapa.
Entretanto, eles alertam que a distância entre o consumidor final e o lugar onde se produz os peixes pode ser um problema. Pois, tem um custo maior para transporte e gelo, o que pode encarecer um pouco o preço para o consumidor final.
Para Matheus Muradas, do Arataca, de comida paraense, o Brasil terá um futuro promissor com a notícia. “Há quem aposte no tambaqui como a próxima commodity brasileira em termos de criação. Agora o matrinxã enlatado, como o substituto do atum enlatado, vai trazer variação de espécies. Manejo talvez seja a forma mais sustentável de extração, entre a criação em represa e a pesca predatória. O que já vem sendo feito com o pirarucu”, comemora.
A indústria nacional de pescados em conserva fatura, em média, R$ 2,27 bilhões, segundo dados do Departamento Econômico da Associação Brasileira da Indústria de Alimentação. O faturamento de sardinha representa 2/3 do total das conservas. Um enorme setor econômico dentro dessa categoria de produtos. Um dos principais motivos para a busca de alternativas para a sardinha é o problema da sobrepesca. No Brasil, a alta demanda por sardinha enlatada é maior do que a quantidade de peixes pescados fora do período de defeso. Uma demanda, quem sabe, com os dias contados.



