Novos arquivos de Epstein citam Trump, Bill Gates e outros bilionários em milhões de documentos divulgados nos EUA
Pacote com mais de 3 milhões de páginas inclui denúncias, e-mails e relatos não corroborados; Casa Branca afirma que não há provas para acusações formais contra o presidente
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou, na sexta-feira (30), o maior conjunto já liberado de documentos relacionados ao financista Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais. O material reúne mais de três milhões de páginas, além de milhares de vídeos e imagens, e cita nomes de empresários, políticos e autoridades, entre eles o presidente Donald Trump, o bilionário Bill Gates, Elon Musk e o secretário de Comércio Howard Lutnick.
Segundo as autoridades, parte significativa do conteúdo é composta por denúncias enviadas ao FBI que não foram corroboradas por provas. Os registros também mostram o que investigadores sabiam sobre os abusos cometidos por Epstein contra meninas menores de idade quando decidiram, há quase duas décadas, não apresentar acusações federais mais amplas contra o financista.
Trump é mencionado em milhares de registros
De acordo com os arquivos, cerca de 4,5 mil documentos fazem referência a Donald Trump. Entre eles, há um resumo preparado por agentes do FBI com base em relatos enviados por cidadãos ao Centro Nacional de Operações contra Ameaças, órgão que recebe denúncias do público.
O material inclui acusações de abuso sexual, mas não apresenta evidências comprobatórias. A Casa Branca afirmou, em resposta ao jornal The New York Times, que os documentos “podem incluir imagens, vídeos ou registros falsos ou obtidos de forma fraudulenta”.
Trump nega qualquer irregularidade. O vice-procurador-geral dos EUA, Todd Blanche, declarou que a revisão dos arquivos não encontrou elementos que justificassem acusações formais contra o presidente e que a Casa Branca não participou da análise do material.
Algumas denúncias anônimas foram classificadas nos próprios registros como “não críveis”, e os desdobramentos das apurações não foram detalhados.
E-mails citam Bill Gates
O pacote também traz anotações e e-mails escritos por Epstein sobre Bill Gates, cofundador da Microsoft. Nos textos, o financista faz alegações sobre supostas relações extraconjugais do empresário. Não há indicação de que as mensagens tenham sido enviadas diretamente a Gates.
A Fundação Gates classificou as acusações como “absurdas e completamente falsas”, afirmando que os registros apenas demonstram tentativas de difamação por parte de Epstein.
Em entrevistas anteriores, Gates já descreveu o contato com Epstein como “um grande erro”, dizendo que se encontrou com ele algumas vezes para discutir possíveis doações filantrópicas.
Relação com outros empresários
Os documentos também incluem trocas de e-mails entre Epstein e o empresário britânico Richard Branson, fundador do Virgin Group. As mensagens indicam proximidade entre os dois em encontros de negócios realizados em 2013.
Em nota, representantes de Branson afirmaram que ele considera as ações de Epstein “abomináveis” e que apoia a busca por justiça para as vítimas.
Contexto
Epstein foi preso em 2019 sob acusações de tráfico sexual de menores e morreu na prisão no mesmo ano. O caso gerou investigações sobre sua rede de contatos, que incluía políticos, empresários e celebridades, levantando questionamentos sobre possíveis omissões das autoridades ao longo dos anos.
A nova divulgação amplia a transparência sobre o caso, mas autoridades ressaltam que a presença de nomes nos documentos não implica, automaticamente, envolvimento em crimes.



