Uma moradora de Belém denunciou que o homem em situação de rua agredido recentemente com uma arma de choque é alvo frequente de ataques praticados por grupos de jovens na capital.
Segundo o relato, as agressões vêm ocorrendo desde o início de 2026 e teriam se intensificado nos últimos meses. De acordo com a denunciante, os envolvidos chegam em carros de luxo e praticam atos de violência, como arremesso de objetos, uso de bombinhas e até jatos de extintor de incêndio contra a vítima.
Violência recorrente
“Esse comportamento de tratar a vida do morador em situação de rua como chacota em vídeo é corriqueiro, vem desde janeiro”, afirmou a moradora, que preferiu não se identificar.
Ela relata ainda que, em fevereiro, presenciou episódios de maior gravidade.
“Vi um carro avançando na via e pessoas jogando uma garrafa com líquido em direção ao homem. No dia seguinte, voltaram, rindo e filmando. Um rapaz desceu com um extintor e direcionou o jato contra ele”, contou.
Segundo a moradora, o homem apresenta problemas de saúde mental, mas não costuma causar transtornos.
Caso recente gerou repercussão
O caso ganhou grande repercussão após vídeos mostrarem o momento em que o homem é atacado com uma arma de choque na avenida Alcindo Cacela.
Os suspeitos foram identificados como Altemar Sarmento Filho, apontado como o autor dos disparos, e Antônio Coelho, que teria filmado a ação.
A Polícia Civil informou que o caso foi registrado e segue sob investigação. Um dos suspeitos chegou a ser conduzido à delegacia, prestou depoimento e foi liberado.
Reação de autoridades
O Ministério Público Federal abriu apuração para investigar o caso, por meio da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão no Pará. O órgão também deve encaminhar representação ao Ministério Público do Estado para análise na esfera penal.
Na Assembleia Legislativa do Pará, a deputada Lívia Duarte cobrou providências e classificou o caso como grave violação de direitos.
Providências e posicionamentos
A Prefeitura de Belém informou que acompanha a situação por meio da Secretaria Executiva de Direitos Humanos e já acionou a Polícia Civil, além de notificar a instituição de ensino envolvida.
O Centro Universitário do Estado do Pará (Cesupa) declarou que afastou os estudantes do curso de Direito citados no caso e abriu procedimento administrativo interno para apuração.
Investigação continua
A Polícia Civil segue investigando não apenas o episódio recente, mas também a possibilidade de outros ataques semelhantes.
Até a última atualização, não havia informações detalhadas sobre o estado de saúde da vítima.



