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Meteorologia explica 26 horas de chuva ininterrupta em Belém

Fenômenos atmosféricos e maré alta contribuíram para volume extremo que causou alagamentos na capital paraense

A chuva que atingiu Belém por cerca de 26 horas consecutivas tem explicação direta na combinação de fatores climáticos típicos da região amazônica. Em menos de um dia, a capital registrou aproximadamente 150 mm de chuva — quase metade do esperado para todo o mês de abril — provocando alagamentos e levando a prefeitura a decretar estado de emergência.

Segundo especialistas, o principal fenômeno responsável foi a atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT). Trata-se de uma faixa de nuvens que se forma próxima à Linha do Equador e que, entre março e abril, se desloca mais ao sul, intensificando as chuvas nas regiões Norte e Nordeste do Brasil.

Alta umidade e calor intensificam chuvas

A presença da ZCIT, somada à alta umidade e às temperaturas elevadas, cria condições ideais para a formação de nuvens do tipo Cumulonimbus — conhecidas pelo grande desenvolvimento vertical e pela capacidade de gerar chuvas intensas e persistentes.

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia, essas nuvens podem provocar tempestades com grande volume de precipitação, descargas elétricas e rajadas de vento. Em alguns casos, o acumulado pode ultrapassar 100 mm em poucas horas ou se prolongar por vários dias, como ocorreu na capital paraense.

Além disso, empresas de monitoramento como a Climatempo já haviam alertado para o risco de chuvas fortes em cidades como Belém, Macapá e Manaus durante o feriado prolongado.

Maré alta agravou alagamentos

Outro fator decisivo para os transtornos foi a maré elevada registrada no domingo (19), que atingiu cerca de 3,6 metros. O nível alto dificultou o escoamento da água da chuva, agravando os pontos de alagamento em diversas áreas da cidade.

Com isso, mesmo após o fim das precipitações mais intensas, a água demorou a baixar em vários bairros, ampliando os impactos para a população.

Fenômeno típico, mas com alto impacto

Apesar da intensidade, episódios como esse não são incomuns nesta época do ano. O chamado “inverno amazônico” é marcado justamente pela frequência de chuvas volumosas, impulsionadas pela atuação da ZCIT.

Ainda assim, quando fatores como chuva persistente, grande volume acumulado e maré alta ocorrem ao mesmo tempo, os efeitos tendem a ser mais severos, como os registrados recentemente em Belém.

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