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Justiça Federal restringe circulação de carretas em pontes de Marabá e cobra cronograma do DNIT

Decisão estabelece horários para tráfego de veículos pesados nas pontes sobre o Rio Itacaiúnas e exige plano definitivo de obras para estruturas da BR-230

A Justiça Federal determinou novas restrições para o tráfego de veículos de carga pesada nas pontes sobre o Rio Itacaiúnas, localizadas na BR-230, em Marabá, no sudeste do Pará. A decisão foi assinada pelo juiz federal Marcelo Honorato, da 1ª Vara da Subseção Judiciária de Marabá, e atende a pedidos apresentados pelo Ministério Público Federal (MPF) em ação civil pública contra o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e a União.

A medida busca diminuir os congestionamentos e reduzir os riscos de acidentes nas estruturas, que já possuem problemas físicos apontados pelo próprio DNIT.

Com a decisão, fica proibida a circulação de veículos de grande porte — como carretas, bitrens, rodotrens e treminhões — em horários específicos nas duas pontes.

As restrições passam a valer:

  • De segunda a sexta-feira: das 7h às 20h;
  • Aos sábados: das 7h às 14h.

A decisão considera o intenso fluxo urbano na região, que impacta diretamente cerca de 300 mil moradores de Marabá e de municípios vizinhos do sudeste paraense.

DNIT terá prazo para sinalização e orientação

A Justiça determinou que o DNIT terá 15 dias para instalar placas de sinalização e divulgar amplamente as novas regras de circulação.

Após esse período, haverá mais 15 dias voltados apenas à orientação dos motoristas, sem aplicação de multas.

Encerrada essa etapa educativa, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) ficará responsável pela fiscalização e pela aplicação das penalidades de trânsito aos condutores que desrespeitarem as restrições.

Além da sinalização, o DNIT também foi obrigado a manter serviços de apoio operacional nas pontes, incluindo a disponibilização de guinchos para remoção rápida de veículos que apresentem pane ou fiquem parados sobre as estruturas.

Justiça cobra solução definitiva para as pontes

Na mesma decisão, o juiz federal determinou que o DNIT apresente, em até 30 dias, um cronograma detalhado das intervenções definitivas nas pontes sobre o Rio Itacaiúnas.

O documento deverá informar:

  • As etapas das obras;
  • Os prazos previstos;
  • As justificativas técnicas;
  • A definição entre reforma estrutural ou demolição e reconstrução das pontes.

O magistrado também exigiu que o órgão federal forneça relatórios periódicos, cronogramas e informações públicas sobre as condições estruturais das travessias e o andamento dos projetos.

Segundo a decisão, houve omissão do DNIT na divulgação transparente das informações relacionadas às pontes, o que dificulta o acompanhamento pela sociedade.

Obras podem durar mais de quatro anos

De acordo com os dados apresentados no processo, o DNIT estima que a solução definitiva para as pontes possa levar até 51 meses — o equivalente a mais de quatro anos.

O prazo inclui:

  • Licitação;
  • Elaboração de projetos;
  • Execução das obras.

A decisão judicial menciona ainda dados do Tribunal de Contas da União (TCU), que apontam histórico de atrasos em obras do DNIT, algumas chegando a triplicar o prazo inicialmente previsto.

O processo também destaca que parte das intervenções deverá ocorrer mantendo o fluxo concentrado em apenas uma das pontes durante cerca de três anos, cenário que pode provocar retenções ainda maiores no trânsito urbano de Marabá.

Estruturas são estratégicas para o sudeste do Pará

As pontes sobre o Rio Itacaiúnas possuem papel estratégico na mobilidade urbana e regional de Marabá, conectando bairros, áreas comerciais e rodovias federais importantes para o escoamento de cargas no sudeste paraense.

A BR-230, conhecida como Rodovia Transamazônica, é uma das principais vias logísticas da região, utilizada diariamente por caminhões, ônibus, veículos leves e transporte intermunicipal.

Nos últimos anos, o aumento do fluxo de cargas pesadas intensificou os problemas de mobilidade e elevou as preocupações sobre a segurança estrutural das travessias.

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