Jornalista Carlos Mendes morre aos 76 anos e deixa legado na comunicação paraense
Fundador do Ver-o-Fato enfrentava complicações decorrentes de um câncer cerebral e deixa legado na comunicação amazônica e na investigação de um dos casos ufológicos mais conhecidos do Brasil.
A imprensa paraense perdeu neste domingo (31) um de seus nomes mais conhecidos. Carlos Mendes morreu aos 76 anos após enfrentar complicações de saúde decorrentes de um câncer cerebral. Nos últimos meses, o jornalista passou por internações, procedimentos médicos e cirúrgicos, mas seu quadro clínico se agravou nas últimas horas em razão de uma hemorragia e da falência de funções vitais.
Até os últimos meses de atividade, Mendes permaneceu acompanhando o trabalho desenvolvido no portal Ver-o-Fato, veículo que fundou e transformou em uma das principais plataformas de análise política e cobertura de temas ligados à Amazônia. Sua morte encerra uma trajetória de décadas dedicadas ao jornalismo e à comunicação regional.
Ao longo da carreira, Carlos Mendes atuou em diferentes segmentos da imprensa, passando por jornais impressos, rádio, televisão e mídias digitais. Entre suas principais experiências profissionais estão os trabalhos como repórter especial do Diário do Pará e correspondente em Belém do jornal O Estado de S. Paulo. Em todas essas funções, participou da cobertura de fatos relevantes da política, economia e sociedade paraense, tornando-se uma das vozes mais respeitadas da comunicação no estado.
Com a criação do portal Ver-o-Fato e do programa Linha de Tiro, ampliou sua atuação no ambiente digital e fortaleceu o debate público sobre temas de interesse regional. O trabalho desenvolvido ao longo dos anos consolidou sua imagem como um profissional atento aos acontecimentos políticos e sociais da Amazônia.
Além da atuação jornalística, Carlos Mendes tornou-se uma das principais referências brasileiras quando o assunto era a Operação Prato. A investigação militar realizada pela Força Aérea Brasileira entre 1977 e 1978 buscou apurar relatos de fenômenos luminosos e supostos objetos voadores não identificados registrados principalmente em Colares e em outros municípios do nordeste paraense.
Na época, ainda como repórter, Mendes acompanhou de perto os relatos dos moradores sobre os fenômenos que ficaram conhecidos popularmente como “chupa-chupa”. Enquanto o episódio despertava medo na população e mobilizava autoridades, ele realizou entrevistas, reportagens de campo e reuniu informações que mais tarde se tornariam importantes registros históricos sobre o caso.
Seu envolvimento com o tema continuou por décadas. O jornalista aprofundou pesquisas, reuniu documentos, ouviu testemunhas e militares que participaram da operação e transformou esse trabalho no livro-reportagem “Luzes do Medo – Relato de um Repórter na Operação Prato”. A obra tornou-se uma das principais referências sobre o episódio, apresentando documentos, relatos inéditos e informações que ajudaram a reconstruir a história da investigação.
O reconhecimento pelo trabalho na área da ufologia levou Carlos Mendes a participar de palestras, seminários e eventos especializados em diversas regiões do país. Nos últimos anos, sua pesquisa voltou a ganhar destaque após produções audiovisuais e documentários revisitarem a Operação Prato, apontada como uma das mais conhecidas investigações sobre fenômenos aéreos não identificados realizadas no Brasil.
Com sua morte, o Pará perde um jornalista que acompanhou importantes transformações da comunicação regional e que ajudou a preservar parte da memória histórica de um dos episódios mais emblemáticos da ufologia brasileira. O legado deixado por Carlos Mendes permanece associado à defesa da informação, ao jornalismo investigativo e à documentação de acontecimentos que marcaram a história da Amazônia.



