Homem-Peixe que atravessou rios da Amazônia foi preso na Colômbia por acusações de crimes sexuais
Wilber Muñoz foi detido em 2024 após denúncia envolvendo uma adolescente de 13 anos que era sua aluna; ele nega as acusações e está respondendo ao processo em liberdade

O colombiano Wilber Honorio Muñoz Burbano, conhecido como “Homem-Peixe” ou “Súper H”, que recentemente ganhou notoriedade no Pará após completar uma longa travessia a nado pelos rios da Amazônia, já foi preso na Colômbia por acusações de crimes sexuais contra uma adolescente de 13 anos. A prisão ocorreu em 2024, na cidade de Neiva, no departamento de Huila.
Wilber se tornou conhecido no Brasil durante a expedição “Amazonas a Pulmão”, que percorreu aproximadamente 6,6 mil quilômetros a nado. A jornada terminou em Belém após o atleta passar por diferentes trechos da região amazônica. No fim de agosto, ele também mobilizou equipes de busca depois de perder contato visual com o grupo que o acompanhava durante uma travessia entre Ponta de Pedras, no Marajó, e Barcarena. Ele foi localizado vivo e sem ferimentos na região de Vila do Conde.
Antes da repercussão provocada pela expedição, entretanto, Wilber já respondia a um processo criminal em seu país. Segundo informações divulgadas pela imprensa colombiana e repercutidas por veículos paraenses, os fatos investigados teriam ocorrido entre 2022 e 2023, quando ele era proprietário de uma escola esportiva e instrutor de triatlo em Neiva. A adolescente era aluna da instituição.
De acordo com a acusação apresentada pela Fiscalía colombiana, Wilber teria cometido atos de assédio e violência de natureza sexual contra a adolescente durante o período investigado. Entre os episódios citados estão supostos toques inadequados durante aulas de natação e durante uma viagem de ônibus para Bogotá, onde a jovem participaria de uma competição de triatlo.
A investigação também resultou na imputação de diferentes crimes relacionados à violência sexual. Segundo a imprensa colombiana, estão entre as acusações atos sexuais violentos agravados, acesso carnal violento agravado, ato sexual abusivo contra pessoa incapaz de resistir, assédio sexual e exploração sexual comercial de menor de 18 anos. Wilber não admitiu os crimes atribuídos a ele.
A prisão preventiva foi determinada por uma juíza de controle de garantias em maio de 2024, após a captura realizada por agentes do Corpo Técnico de Investigação (CTI), com apoio da Polícia Nacional colombiana.
Wilber deixou a prisão em 7 de abril de 2025. Segundo informações divulgadas pela imprensa colombiana e reproduzidas por O Liberal, a defesa conseguiu a liberdade após o vencimento do prazo legal para a prisão preventiva sem que houvesse uma decisão judicial definitiva. Na ocasião, ele afirmou que continuaria tentando provar sua inocência.
O processo, porém, não foi encerrado com a libertação. O colombiano permanece respondendo às acusações na Justiça de seu país e o caso avançou para a fase de julgamento. Portanto, as acusações contra Wilber não equivalem a uma condenação definitiva.
Da Colômbia para os rios amazônicos
Conhecido em seu país como “Súper H”, Wilber construiu parte da carreira realizando travessias de longa distância e promovendo ações relacionadas à preservação dos rios. Uma das façanhas que ajudaram a torná-lo conhecido ocorreu no rio Magdalena, na Colômbia.
Na expedição mais recente, o atleta passou pelo Peru, Colômbia e Brasil com o projeto “Amazonas a Pulmão”, cujo objetivo divulgado é chamar atenção para a poluição dos rios, especialmente causada pelo descarte de plástico. A jornada terminou em Belém, onde Wilber foi recebido após cerca de 360 dias de travessia.
No Pará, ele chegou a protagonizar um momento de tensão em 28 de agosto, quando desapareceu do campo de visão da equipe durante uma travessia de aproximadamente 24 quilômetros pela Baía do Marajó. O Corpo de Bombeiros informou que ele foi encontrado nadando próximo à região portuária de Vila do Conde, consciente e sem ferimentos.
A história do “Homem-Peixe”, portanto, ganhou uma nova dimensão após a chegada a Belém: além da expedição ambiental que o tornou conhecido no Pará, vieram à tona informações sobre o processo criminal que ele responde na Colômbia desde 2024.



