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CTNBio libera cultivo de algodão transgênico no Pará após estudos da Embrapa

Estudos realizados em dezenas de municípios indicaram que plantas encontradas no Pará estão associadas a áreas urbanas e quintais, sem presença em ambientes naturais.

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança decidiu retirar o Pará da zona de exclusão para o cultivo de algodão geneticamente modificado (GM). A decisão foi baseada em estudos técnicos conduzidos pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, que analisaram a presença de espécies de algodoeiro no território paraense e o risco de cruzamento com variedades transgênicas.

As pesquisas concluíram que não há evidências de algodoeiros silvestres no estado. As plantas identificadas estão principalmente em ambientes modificados pela ação humana, como quintais, jardins, áreas urbanas e margens de estrada.

Segundo o diretor executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão, Marcio Portocarrero, a decisão abre novas oportunidades para os produtores locais diversificarem a produção agrícola.

“Essa atualização da zona de exclusão permite que a cadeia do algodão se expanda no estado e se torne uma alternativa dentro da rotação de culturas para produtores de soja e milho”, afirmou.

Algodão presente principalmente em quintais

De acordo com o pesquisador Paulo Barroso, as variedades encontradas atualmente no Pará têm valor histórico e cultural, mas não fazem parte de uma produção comercial estruturada.

A espécie mais comum é o Gossypium barbadense, tradicionalmente cultivado na região e hoje mantido principalmente como planta medicinal em residências urbanas e rurais. Também foi identificado o chamado algodoeiro “Verdão”, da espécie Gossypium hirsutum, presente em pequena escala.

Para atualizar o mapeamento dessas plantas, pesquisadores realizaram cinco expedições ao estado, totalizando 78 dias de trabalho de campo. Foram analisados 686 pontos em 86 municípios, com registro de mais de 2,5 mil plantas de algodoeiro. Nenhuma foi encontrada em ambientes naturais.

Baixo risco de cruzamento genético

Outro fator considerado pela CTNBio foi o baixo potencial de fluxo gênico entre variedades transgênicas e algodoeiros não comerciais. Segundo os pesquisadores, mesmo após décadas de convivência entre diferentes tipos de algodão no estado, a integridade genética das populações permanece elevada.

Isso ocorre porque o algodoeiro possui taxas naturalmente baixas de fecundação cruzada, além de as plantas geralmente estarem isoladas em quintais ou separadas por barreiras físicas.

Testes realizados em milhares de plantas também indicaram ausência de proteínas associadas a eventos transgênicos, o que reforça que não houve transferência genética proveniente de cultivos comerciais.

Potencial para nova frente agrícola

Na prática, a decisão abre espaço para o desenvolvimento da cotonicultura no sul e sudeste do Pará, regiões que já possuem áreas consolidadas de produção de grãos.

Para o gerente sênior de algodão da BASF Soluções para Agricultura, Warley Palota, a liberação amplia as possibilidades para produtores.

Segundo ele, sementes geneticamente modificadas podem ajudar no manejo de pragas e ervas daninhas, além de aumentar a produtividade ao proteger o potencial das lavouras.

Especialistas também avaliam que a expansão da cultura pode impulsionar o desenvolvimento econômico regional, fortalecendo cadeias produtivas e ampliando oportunidades no setor agrícola paraense.

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