A construção civil paraense enfrenta um desafio crescente: encontrar trabalhadores para atuar nos canteiros de obras. A dificuldade para contratar pedreiros, carpinteiros e serventes tem sido relatada por empresas do setor em diferentes regiões do estado.
Segundo o Sindicato da Indústria da Construção do Estado do Pará (Sinduscon-PA), existe atualmente um desequilíbrio entre a demanda gerada pelos empreendimentos em andamento e a quantidade de profissionais disponíveis para contratação formal.
De acordo com o vice-presidente da entidade, Emmanuel Athayde, as empresas têm encontrado cada vez mais obstáculos para preencher vagas operacionais, situação que impacta diretamente o andamento das obras.
“Nossas associadas relatam, com cada vez mais frequência, prazos mais longos para contratação”, afirmou.
O setor atribui parte desse cenário à migração de trabalhadores para atividades informais, onde muitos profissionais atuam como autônomos ou prestadores de serviço sem vínculo empregatício. O sindicato também defende que políticas de transferência de renda influenciam a oferta de mão de obra formal, embora essa relação seja tema de debate entre especialistas.
Além da dificuldade de contratação, as construtoras relatam aumento da rotatividade das equipes e necessidade constante de treinamento de novos funcionários.
Segundo o Sinduscon, a instabilidade da força de trabalho afeta a produtividade dos empreendimentos e gera impactos financeiros que acabam refletindo nos cronogramas das obras.
CUSTOS EM ALTA
O problema ocorre em um momento de expansão da construção civil no Pará, impulsionada por investimentos públicos, crescimento imobiliário e obras de infraestrutura.
Ao mesmo tempo, os custos com mão de obra também aumentaram. A Convenção Coletiva de Trabalho 2025/2026 garantiu reajustes salariais para a categoria, além de benefícios como cesta básica, auxílio-transporte e seguro de vida.
Para o setor empresarial, a combinação entre escassez de profissionais e aumento dos custos trabalhistas pressiona as margens das empresas.
Segundo Emmanuel Athayde, em alguns casos a situação já provoca revisões de orçamento e até adiamento de projetos.
“Esse cenário força revisões de custos e, em determinadas situações, pode levar ao redimensionamento ou adiamento de empreendimentos”, explicou.
TECNOLOGIA COMO ALTERNATIVA
Diante da dificuldade para contratar trabalhadores, as empresas passaram a investir em novas tecnologias para reduzir a dependência de serviços manuais.
Entre as medidas adotadas estão o uso de sistemas pré-fabricados, automação de processos e ferramentas digitais de planejamento e gestão de obras, como a metodologia BIM (Modelagem de Informação da Construção).
A expectativa do setor é aumentar a produtividade e reduzir os impactos provocados pela falta de mão de obra especializada.
QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL
Outra frente de atuação envolve a formação de novos profissionais.
O Sinduscon mantém parcerias com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-PA) para ampliar a oferta de cursos voltados à construção civil.
As empresas também têm investido em programas de treinamento, capacitação técnica e melhorias nas condições de trabalho para atrair novos trabalhadores para o setor.
A entidade defende ainda a aprovação da chamada PEC 012, conhecida como PEC do Emprego, que propõe mudanças na forma de cobrança de encargos previdenciários das empresas. Segundo o sindicato, a medida poderia reduzir custos de contratação e estimular a formalização de trabalhadores.
Enquanto busca soluções, a construção civil paraense segue convivendo com um paradoxo: há obras, investimentos e vagas disponíveis, mas faltam profissionais para ocupar parte dos postos de trabalho oferecidos pelo setor.



