Caso Ruthetty tem reviravolta: irmão da cantora é solto após novas provas e investigação aponta outro possível motivo para o crime
Defesa do sargento Ivanildo Gomes afirma que novas evidências descartam participação dele no homicídio e indicam envolvimento da esposa e do autor confesso.
A investigação sobre a morte da cantora paraense Ruthetty teve uma reviravolta nesta sexta-feira (3), com a soltura do sargento da Polícia Militar Ivanildo Gomes dos Santos, irmão da artista. A decisão ocorreu após a apresentação de novas provas pela defesa, que sustenta que o policial não teve qualquer participação no homicídio.
Segundo o advogado Arlindo Costa, responsável pela defesa de Ivanildo, as novas evidências levaram a Polícia Civil a reavaliar a linha investigativa inicialmente adotada contra o militar.
De acordo com a versão apresentada pela defesa, a investigação passou a apontar que a esposa de Ivanildo, identificada como Meryam, mantinha um relacionamento extraconjugal com Geovani da Silva, preso e apontado como autor do assassinato da cantora.
Defesa aponta novo motivo para o crime
Segundo o advogado, a motivação do homicídio estaria relacionada a um episódio ocorrido antes da morte da cantora.
A defesa afirma que Meryam teria engravidado de Geovani e que, durante uma discussão, Ruthetty teria agredido a cunhada com um soco na região da barriga. Conforme essa versão, a agressão teria provocado a perda da gestação.
Movido pelo desejo de vingança, Geovani teria decidido matar a cantora.
Ainda segundo a defesa, Meryam teria sido responsável por solicitar, por meio de um aplicativo, a corrida de mototáxi utilizada por Geovani para chegar até a residência da artista, no bairro da Marambaia, onde o crime foi cometido.
Novas provas
A defesa informou que apresentou aos investigadores imagens de câmeras de segurança do Hospital Santa Casa de Misericórdia que mostrariam Meryam e Geovani juntos durante o atendimento médico realizado após o aborto.
Segundo Arlindo Costa, as imagens, somadas aos registros da corrida por aplicativo, reforçariam a existência da relação entre os dois e contribuíram para o novo direcionamento das investigações.
Após serem novamente ouvidos pela Polícia Civil, Meryam e Geovani teriam admitido o relacionamento e apresentado uma nova versão sobre o crime, afastando a participação de Ivanildo.
“Conseguimos imagens das câmeras da Santa Casa que mostram ela chegando com o assassino para fazer o procedimento de curetagem. Levamos essas informações para a delegacia, que chamou os dois para novos depoimentos. Depois da apresentação dessas provas, eles passaram a admitir a relação e o envolvimento no caso”, afirmou o advogado.
Irmão da cantora é solto
Com o novo conjunto de elementos apresentados durante a investigação, Ivanildo Gomes foi colocado em liberdade na tarde desta sexta-feira.
Segundo a defesa, o policial desconhecia o relacionamento entre sua esposa e Geovani e também não sabia que o suspeito seria o pai da gestação interrompida.
Os advogados afirmam ainda que Ivanildo ficou profundamente abalado após descobrir tanto a morte da irmã quanto a suposta traição da esposa e as acusações que recaíram sobre ele durante a investigação.
A defesa informou que pretende atuar agora como assistente de acusação no processo contra os suspeitos.
Investigação continua
Geovani da Silva foi preso no dia 29 de abril, em Mosqueiro, durante uma operação relacionada ao tráfico de drogas. Na ocasião, policiais apreenderam porções de oxi, cocaína e dinheiro.
Posteriormente, imagens de câmeras de segurança também o identificaram chegando de motocicleta à residência da cantora no dia do homicídio.
O caso permanece sob investigação da Delegacia de Feminicídio (Defem) e segue em segredo de Justiça. Até o momento, a Polícia Civil não divulgou oficialmente detalhes sobre as novas provas apresentadas nem sobre os depoimentos prestados pelos investigados.
O Grupo Liberal informou que tenta contato com as defesas de Meryam e Geovani da Silva. O espaço permanece aberto para manifestação dos investigados.
Relembre o caso
Rute Gomes dos Santos, conhecida artisticamente como Ruthetty, foi encontrada morta em Belém no dia 3 de dezembro de 2025. Ícone do tecnomelody e do brega paraense, a cantora teve a morte investigada pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), posteriormente conduzida pela Delegacia de Feminicídio.
Desde então, o caso mobilizou a opinião pública e passou por diferentes linhas investigativas. Com os novos desdobramentos, a apuração entra em uma nova fase para esclarecer definitivamente a motivação do crime e a participação de cada um dos envolvidos.



