Cada vez mais evangélicos participam do Círio de Nazaré e mostram que a festa vai além da religião
Relatos de fiéis de diferentes denominações, incluindo o de um jovem que fez uma promessa a Nossa Senhora, evidenciam a presença evangélica na maior procissão do Brasil
A presença de evangélicos no Círio de Nazaré tem ganhado visibilidade em histórias de fé, participação e solidariedade nas ruas de Belém. Mesmo sendo uma celebração católica dedicada a Nossa Senhora de Nazaré, a maior procissão do Brasil também reúne pessoas de outras religiões, seja para acompanhar familiares, ajudar os romeiros ou expressar gratidão por experiências pessoais.
Um dos relatos que chamou atenção nas redes sociais é o de Fabrício, que, mesmo professando outra religião, recorreu à intercessão de Nossa Senhora de Nazaré em um momento delicado para a família. Segundo a história compartilhada, a mãe dele corria o risco de precisar amputar um dos pés. Diante da situação, ele fez um pedido a Nazinha e prometeu participar do Círio caso a amputação não fosse necessária.
Com a melhora relatada e sem a necessidade de amputação, Fabrício foi às ruas de Belém para cumprir a promessa e agradecer. A história viralizou nas redes sociais e trouxe visibilidade à relação que pessoas de diferentes crenças estabelecem com a devoção a Nossa Senhora de Nazaré.
Evangélicos também participam e ajudam durante o Círio
A participação de fiéis evangélicos não se limita a histórias individuais. Em reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, integrantes de diferentes denominações relataram sua presença na programação nazarena e defenderam o respeito às crenças alheias.
Entre os entrevistados estava Cineiry Cardoso Lima, capelã de uma igreja batista que participou de uma ciclo-romaria ao lado de uma amiga católica. Apesar das diferenças na forma como cada uma compreende a devoção a Maria, Cineiry afirmou que é importante respeitar a fé das outras pessoas.
A colaboração também aparece em ações de apoio aos romeiros. Conforme a reportagem, integrantes de igrejas evangélicas participam da distribuição de água durante o período do Círio. Em vez de se restringir às diferenças doutrinárias, essas iniciativas contribuem para o acolhimento de quem acompanha as procissões.
Uma festa que ultrapassa as diferenças religiosas
A presença de evangélicos no Círio ganha relevância em uma região onde essa vertente do cristianismo tem participação expressiva na população. Dados do Censo 2022 citados pela Folha de S.Paulo apontam que 36,8% dos moradores do Norte com 10 anos ou mais se declaravam evangélicos, acima da média nacional de 26,9%.
Apesar das diferenças entre as tradições religiosas, o Círio continua ocupando um lugar central na vida cultural paraense. A programação movimenta a cidade, reúne famílias, mobiliza voluntários e preserva costumes transmitidos entre gerações. Para muitos moradores, a festa também está ligada às lembranças de infância, aos encontros familiares e à própria identidade de Belém.
A participação de pessoas de outras religiões não elimina o caráter católico da procissão, mas evidencia que o significado social do Círio alcança diferentes grupos. Histórias como a de Fabrício e a atuação de evangélicos em ações de apoio aos romeiros mostram que a festa também pode ser um espaço de convivência, gratidão e solidariedade entre pessoas com crenças distintas.



