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Artemis II: Nasa tenta lançar missão histórica tripulada à Lua após mais de 50 anos

Voo deve marcar retorno de astronautas ao espaço profundo e abrir caminho para nova era da exploração lunar

A Nasa se prepara para um momento histórico nesta quarta-feira (1º): o possível lançamento da missão Artemis II, a primeira viagem tripulada rumo à Lua desde o fim do programa Apollo, em 1972.

A decolagem está prevista para as 19h24 (horário de Brasília), a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida. A agência trabalha com uma janela de lançamento de cerca de duas horas e pode adiar a operação caso haja problemas técnicos ou condições climáticas desfavoráveis.

Diferentemente da Artemis I, realizada em 2022 sem tripulação, desta vez quatro astronautas viajarão a bordo da cápsula Orion, impulsionada pelo foguete Space Launch System (SLS), considerado o mais poderoso já desenvolvido pela Nasa.


Missão sem pouso, mas com objetivo estratégico

A Artemis II não prevê pouso na Lua. O objetivo é realizar um sobrevoo tripulado ao redor do satélite natural, em uma missão de aproximadamente 10 dias.

Durante o voo, a nave passará pelo lado oculto da Lua — região que não é visível da Terra — e seguirá por uma trajetória chamada de “retorno livre”, que utiliza a gravidade da Terra e da Lua para trazer a cápsula de volta com menor necessidade de propulsão.

A missão também deve levar os astronautas a uma distância recorde: cerca de 7.500 km além da Lua, superando qualquer marca alcançada por humanos até hoje.

Mais do que simbólica, a viagem tem caráter técnico. A tripulação vai testar, em condições reais de espaço profundo, sistemas essenciais da Orion, como suporte de vida, navegação, comunicação e controle manual.


Quem está a bordo

A missão será comandada por Reid Wiseman, ex-piloto da Marinha dos Estados Unidos. A tripulação inclui ainda o piloto Victor Glover, a especialista de missão Christina Koch e o canadense Jeremy Hansen.

O grupo reúne marcos importantes: Koch será a primeira mulher a participar de uma missão lunar da Nasa, enquanto Glover será o primeiro homem negro a integrar uma missão desse tipo.

Dos quatro, apenas Hansen nunca esteve no espaço.


Como será o voo

Após o lançamento, a Orion permanecerá em órbita terrestre por cerca de 24 horas, período em que os astronautas realizarão testes iniciais e assumirão o controle manual da cápsula.

Em seguida, a nave seguirá em direção à Lua. Ao se aproximar, deve passar entre 6.400 e 9.600 quilômetros da superfície lunar.

Um dos momentos mais críticos será a passagem pelo lado oculto da Lua, quando a comunicação com a Terra será interrompida por até 50 minutos.

Após contornar o satélite, a Orion seguirá para o ponto mais distante da missão antes de iniciar o retorno. No total, a nave deve percorrer cerca de 2,2 milhões de quilômetros.

A reentrada na atmosfera terrestre ocorrerá a aproximadamente 40 mil km/h, com temperaturas que podem chegar a 3.000 °C. O pouso será no Oceano Pacífico, com auxílio de paraquedas.


O que é o programa Artemis

A Artemis é o principal programa espacial da Nasa atualmente e marca o retorno dos Estados Unidos à exploração lunar.

A estratégia prevê missões progressivas:

  • Artemis I (2022): voo não tripulado para testar sistemas
  • Artemis II (agora): missão tripulada em órbita lunar
  • Artemis III (prevista a partir de 2027): pouso na Lua

O objetivo declarado é levar novamente astronautas à superfície lunar — incluindo a primeira mulher e a primeira pessoa negra — e estabelecer uma presença mais duradoura no satélite.

No longo prazo, a Lua deve servir como base para futuras missões tripuladas a Marte.


Tecnologia envolvida

O foguete SLS tem cerca de 98 metros de altura e gera empuxo equivalente a 14 aviões Boeing 747. Ele é composto por dois propulsores laterais de combustível sólido e um estágio central com quatro motores.

Já a cápsula Orion foi projetada para suportar o ambiente do espaço profundo. Ela conta com sistemas de suporte de vida, controle térmico e proteção contra radiação.

Um dos componentes centrais é o Módulo de Serviço Europeu, responsável por fornecer energia, propulsão e recursos essenciais à tripulação.


Por que a missão atrasou

Apesar da expectativa, a Artemis II sofreu uma série de adiamentos.

Após a missão Artemis I, foram identificados danos inesperados no escudo térmico da Orion durante a reentrada, o que levou a mais de 100 testes adicionais.

Também foram registrados problemas técnicos, como vazamentos de hidrogênio e falhas em componentes, além de interferências climáticas que atrasaram os cronogramas.

A Nasa adotou uma postura cautelosa. Segundo a agência, a missão só será lançada quando todos os sistemas estiverem completamente seguros.


Nova corrida espacial

A Artemis II ocorre em meio a uma nova corrida espacial global.

Enquanto os Estados Unidos lideram o programa Artemis com apoio de países como Canadá, Japão e membros da União Europeia, China e Rússia desenvolvem seus próprios projetos para exploração lunar.

A China, por exemplo, pretende realizar missões tripuladas à Lua até 2030.

Nesse cenário, o sucesso da Artemis II é visto como fundamental para manter a liderança americana e garantir o avanço das próximas etapas do programa.


Próximos passos

Se a missão for bem-sucedida, o próximo grande marco será a Artemis III, que deve marcar o retorno de humanos à superfície lunar pela primeira vez em mais de meio século.

A nova fase da exploração prevê não apenas visitas, mas estadias mais longas, com infraestrutura e participação internacional ampliada.


A Artemis II representa, ao mesmo tempo, um retorno ao passado e um passo decisivo para o futuro da exploração espacial. Mais do que revisitar a Lua, a missão abre caminho para uma presença humana mais constante fora da Terra — e, eventualmente, para viagens ainda mais distantes.

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