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Anvisa aprova novo medicamento semestral para previnir o HIV no Brasil

Fármaco injetável semestral e em comprimidos poderá ser usado por adultos e adolescentes sob risco de infecção

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, na segunda-feira (12), o registro do medicamento Sunlenca (lenacapavir) para uso na prevenção do HIV-1, na modalidade de profilaxia pré-exposição (PrEP). O remédio poderá ser utilizado por adultos e adolescentes a partir de 12 anos, com peso mínimo de 35 quilos, que apresentem risco aumentado de infecção pelo vírus.

O medicamento está disponível em duas formas: comprimido de uso oral e injeção subcutânea aplicada a cada seis meses. Antes do início do tratamento, é obrigatória a realização de teste para HIV-1 com resultado negativo.

Segundo a Anvisa, os dados apresentados em estudos clínicos indicaram eficácia total na redução de novos casos de HIV-1 entre mulheres cisgênero. Em outros grupos, os resultados apontaram redução de 96% na incidência do vírus em relação à taxa de base e desempenho superior à PrEP oral diária. O modelo de aplicação semestral apresentou índices elevados de adesão ao tratamento.

O Sunlenca é composto por lenacapavir, um antirretroviral que atua sobre diferentes fases do ciclo do HIV-1, interferindo no funcionamento do capsídeo do vírus. Essa ação impede a replicação viral ao bloquear processos essenciais para a multiplicação do HIV nas células do organismo.

Apesar da aprovação do registro, o medicamento ainda depende da definição de preço máximo pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). A eventual oferta pelo Sistema Único de Saúde (SUS) será analisada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e pelo Ministério da Saúde.

A PrEP é uma das estratégias adotadas para reduzir a transmissão do HIV entre pessoas não infectadas que estão expostas ao risco. O método integra a política de prevenção combinada, que inclui testagem periódica, uso de preservativos, tratamento antirretroviral, profilaxia pós-exposição (PEP) e ações voltadas a gestantes vivendo com HIV.

Em julho de 2025, o lenacapavir passou a ser recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como opção adicional para PrEP, sendo apontado como alternativa de maior impacto após a vacina contra o HIV, que ainda não existe.

O HIV é um vírus que compromete o sistema imunológico, afetando principalmente os linfócitos CD4. A infecção ocorre, em geral, por relações sexuais sem preservativo, compartilhamento de seringas e, em casos raros, transfusão de sangue contaminado. Embora não tenha cura, o tratamento adequado permite controle da infecção e redução da transmissão.

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