Coluna

A desculpa de Celso

Quem nunca usou uma desculpa esfarrapada quando convidado para a festa de aniversário do chato do trabalho, que atire a primeira pedra. “Estou gripado”, “ bateria descarregou”, “o problema sou eu”, “acabei de sair de um relacionamento”, “clonaram meu celular”, são algumas das pequenas mentiras veniais que usamos diariamente.

De certo, algumas pessoas já, desde criança, criavam as mais mirabolantes desculpas para cabular aulas, outros, só foram aprendendo a recorrerem às desculpas quando na vida adulta, em que nos confrontamos com a verdadeira necessidade das pequenas mentiras da vida cotidiana. Mas o fato é que todos nós acabamos recorrendo a elas mais cedo ou mais tarde.

Desculpas esfarrapadas sempre nos tiraram de verdadeiras enrascadas, “saias justas”, situações embaraçosas e ocasiões mais chatas que dançar com irmã. Mas não se enganem, a arte de dar desculpas convincentes é uma habilidade de poucos. Querem ver?

Nos anos 80, o cantor pop americano e negro, Michael Jackson, acusado de querer tornar-se branco, usou a desculpa da doença vitiligo. Já em terras brasilis o cantor Marrone, da dupla sertaneja Bruno e Marrone, e o apresentador Fernando Vanucci, resolveram apelar para a velha desculpa do remédio controlado, depois de, encachaçados, colocarem o pé na jaca.

E o que dizer da desculpa dada pelo jogador, Ronaldinho Fenômeno, para o “cagaço” que teve na final da Copa de 98 contra a França?

O vídeo do ex presidente Lula, com cara de cachorro que caiu do caminhão da mudança, explicando à nação sobre os escândalos do Mensalão e de que nada sabia, é um clássico.

Alguém em sã consciência acreditou neles?

Não, né?!

E sabem porquê? Um dos grandes problemas de quem recorre às desculpas esfarrapas é que as vezes é preciso improvisar, e aí, até bons mentirosos se veem encurralados e acabam vacilando e escorregam em suas próprias mentiras. 

Seria este o caso do prefeito Edmilson Rodrigues quando era deputado federal, pelo PSOL, e teve que votar na denúncia do então presidente Temer? Naquela ocasião Edmilson se viu em uma verdadeira sinuca de bico: ou desagradava o partido, toda a sua base e seus eleitores ou provocava seus aliados, caciques do PMDB aqui no Pará.

O que fez? Compareceu a sessão mas não votou. Quando perguntado sobre a ausência, resolveu improvisar dizendo que não se deu conta da votação pois estava dando uma entrevista. O problema é que esta entrevista nunca foi ao ar.

Nunca improvisem. Se possível já deixem umas meia dúzia de desculpas esfarrapadas guardadas para cada ocasião.

Ontem, dia 10, o deputado Celso Sabino, relator da reforma tributária, após inúmeras críticas contundentes ao PSDB, seu partido, postadas em suas redes sociais por posicionar-se contra o voto impresso auditável, resolveu se abster e não votou, nem a favor e nem contra.

Até agora, tampouco justificou seu comportamento, no mínimo, incoerente com seu discurso. O que será que teremos por ai? Doença, acidentes, entrevistas? Pelo visto está revisando uma por uma em seu arsenal de desculpas esfarrapadas, procurando a melhor.

Já comprei até pipocas. 

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