A 100 dias da COP30, governo descarta mudança de sede e reforça compromissos para receber evento em Belém
Apesar das críticas sobre hospedagem e infraestrutura, principais delegações internacionais já confirmaram presença; autoridades reforçam que a conferência climática será mantida na capital paraense
Faltando 100 dias para o início da COP30, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, o Governo Federal reafirmou que o evento será realizado em Belém, entre os dias 10 e 21 de novembro. A confirmação vem após uma série de críticas de veículos da imprensa do Sudeste e de outros países, que apontaram problemas relacionados a hospedagem, logística e segurança na capital paraense.
Apesar da pressão e do burburinho diplomático, o evento — considerado histórico por ser o primeiro em uma cidade amazônica — segue com sua programação intacta. O governo brasileiro tem até 11 de agosto para apresentar à ONU um relatório com as medidas adotadas para garantir a realização da conferência.
Gigantes confirmados
As principais potências mundiais já confirmaram presença, incluindo China, Índia e Reino Unido, que devem enviar ao todo cerca de 2 mil integrantes. A expectativa é que a COP30 reúna aproximadamente 50 mil pessoas em Belém, consolidando o evento como um marco na história ambiental e diplomática da Amazônia.
Hospedagem: soluções criativas diante da especulação
Para contornar os altos preços em hotéis e evitar o colapso da rede hoteleira, o Governo Federal, o Governo do Pará e a prefeitura de Belém estão adotando alternativas:
- Tabelamento de preços para imóveis de aluguel temporário, incluindo Airbnbs e residências familiares;
- Cruzeiros que servirão como hospedagens flutuantes;
- Utilização temporária de unidades do programa Minha Casa, Minha Vida;
- Escolas públicas adaptadas para acomodar visitantes;
- Lançamento de uma plataforma oficial de hospedagem com diárias entre US$ 200 e US$ 600, priorizando delegações de países em desenvolvimento.
Além disso, o governo investiga possíveis abusos no setor hoteleiro e já realiza ações para coibir práticas especulativas.
Pressão internacional ou resistência ao protagonismo amazônico?
Uma carta enviada por países como Canadá, Noruega, Suíça e Áustria alertou para desafios estruturais, mas também gerou interpretações de que parte da resistência se deve ao deslocamento do centro do debate climático da Europa para a América do Sul profunda.
No Brasil, setores políticos de oposição têm explorado as críticas como forma de enfraquecer o governo federal e estadual, ignorando os avanços em infraestrutura, mobilidade e saneamento que a COP está impulsionando em Belém.
Evento histórico
Segundo especialistas e organizadores, a realização da COP30 em Belém representa um momento histórico de reparação e protagonismo. “Nunca uma COP foi realizada em um território tão diretamente impactado pelas mudanças climáticas”, declarou um dos organizadores.
O embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, afirmou: “Acredito que talvez os hotéis não estejam se dando conta da crise que estão provocando.” A declaração é vista como um alerta ao mercado local, mas também como sinal da seriedade com que o evento está sendo conduzido.
Para a professora paraense Marcilene Brandão, a COP30 é um símbolo de resistência: “Quem torcer contra, vai acabar vendo a Amazônia brilhar ainda mais.”



