BELÉMOPINIÃO

Como o liberalismo pode recolocar Belém de volta à prosperidade econômica

Por Milton Mises Montesquieu

O liberalismo fez mais pelos pobres do que qualquer outro sistema na história. Quem disse essa frase foi Deirdre MacCloskey, historiadora, economista da Universidade de Chicago e autora da excelente trilogia literária: Burgeois VirtuesBurgeois Dignity e Burgeois Equality, mostrando que ideias mudaram o mundo e permitiram o avanço da economia de livre-mercado com todas suas incríveis conquistas sociais.

No meu último artigo falei sobre o liberalismo popular que resiste na periferia de Belém. Numa cidade com poucas oportunidades no mercado de trabalho formal, resta aos belenenses – aqueles que não desejam migrar para o Sul do país – fazer suas próprias oportunidades e enfrentar as dificuldades e ações de repressão estatal.

Falar sobre o liberalismo não se faz em apenas em um artigo, sempre que possível irei abrir vários temas e ampliar os pormenores conceituais. Neste irei deixar as pontas abertas e ir fechando em outros textos.

Belém teve seu auge econômico com a borracha no início do século XX, a grande circulação de capital trouxe profundas mudanças no urbanismo, na arquitetura, nos costumes e na demografia. A cidade, no entanto, não soube criar bases fortes que pudessem fazer diminuir sua dependência econômica da borracha. O tempo passou, vieram os projetos desenvolvimentistas para a Amazônia a partir de Vargas e intensificado com o regime militar. Belém teve uma explosão demográfica e se tornou hoje uma das metrópoles brasileiras, mas com grandes problemas estruturais, econômicos e sociais.

Como colocar Belém de volta ao caminho da prosperidade robusta, que diminua a desigualdade social e faça da cidade uma referência em qualidade de vida? Antes de tudo, o liberalismo trata da autonomia do indivíduo, da sua independência, sendo o Estado, o agente que cria um ambiente saudável, juridicamente estável e que garanta que os contratos sejam cumpridos.

A população de Belém já demonstra que tem capacidade empreendedora, de grandes empresas como a PHEBO ou do dono da mercearia da Terra Firme, a cidade tem infinitos exemplos de pessoas que estão gerando riqueza.

Quando os liberais defendem o Estado mais enxuto, não significa Estado omisso da vida do cidadão. Muito pelo contrário: acreditamos que os governos devem ter menos despesas; menos empregados; menos órgãos; menos estatais; e menos áreas de atuação para que possa, justamente, concentrar seus esforços nos setores mais importantes para a população.

Na prática, isso representa um Estado com mais eficiência na ponta e serviços públicos adequados para a sociedade – diferente da realidade histórica de Belém, do Pará e do Brasil.

Além disso, é importante esclarecer que as ideias liberais não são engessadas. Cada lugar e cada momento têm sua particularidade e irá aplicá-las de uma forma particular e que se adeque à realidade. Belém tem sua localização, é da Amazônia, serve como referência para quase 10 milhões de brasileiros, tem sua culinária, um povo criativo, uma cultura incrível, uma rica história, portanto, são alguns elementos que podem ser desenvolvidos com a capacidade dos indivíduos da cidade, bastando o governo (nas três esferas não atrapalharem, ou melhor, criarem um ambiente pró-mercado).

É evidente a relação entre liberdade econômica e desenvolvimento econômico e social. Um dos índices que melhor nos ajudam a enxergar essa relação entre liberdade econômica e ganho social é do Heritage Foundation.

Em países com pouca burocracia, máquina estatal enxuta, forte império da lei e reduzidos graus de corrupção só há uma forma de atingir seus objetivos econômicos: servindo às demais pessoas por meio da colocação no mercado de bens e produtos que elas queiram adquirir, ao preço mais razoável possível, a fim de conquistar clientes.

Ou seja: em questões econômicas, a chave do sucesso em locais com liberdade é o empreendedorismo.

Aqui em Belém, no entanto, uma boa parte da população da cidade, dividida entre saudosista da Belle Époque e jovens millennials tomados pelo espírito revolucionário do fracasso do socialismo, inspirados em políticos influentes de Belém, possuem repulsa a investimentos na cidade.

É uma questão a ser trabalhada pela leva de políticos ditos liberais que estão vindo aí. Mostrar o liberalismo popular e como ele reflete em melhorias na vida da população da cidade, de maioria autônoma. Mas é preciso ir quebrando tabus, derrubando barreiras, remodelando o liberalismo na cabeça das pessoas, principalmente dos jovens iludidos pelo marxismo. O Liberalismo também defende as liberdades individuais, e é justamente esse princípio, que delega as ideias econômicas defendidas pela filosofia.

O mundo ocidental e todo o avanço que vivemos nos últimos 200 anos é fruto de uma economia mais livre, quando indivíduos puderam realizar trocas voluntárias em níveis jamais vistos na história.

“Não são a redistribuição massiva de riqueza ou os decretos do governo sobre o nível e renda que produzem o resultado mais positivo para a sociedade. Em vez disso, a mobilidade e o progresso exigem barreiras menores para o ingresso no mercado, liberdade para interagir com o mundo e menos intromissão governamental”: essa é uma das mais brilhantes lições constantes do Índice de Liberdade Econômica da Heritage Foundation e que Belém deve aprender.

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