DJ Argel admite falas preconceituosas, pede desculpas e deixa Cabanus após exclusão do Psica
Artista reconheceu posicionamentos antigos e afirmou ter mudado de comportamento; ele também negou acusações de crimes sexuais e anunciou saída da sociedade do coletivo cultural de Belém.

O DJ Argel se pronunciou na noite desta segunda-feira (2), após a repercussão de publicações antigas atribuídas a ele, envolvendo discursos preconceituosos, referências ao nazismo e à violência sexual. Em um vídeo divulgado no X (antigo Twitter), o artista reconheceu ter defendido posicionamentos que atualmente considera condenáveis, pediu desculpas e confirmou que deixará a sociedade do coletivo Cabanus, de Belém, que foi retirado da programação do Festival Psica 2026 após as denúncias.
Durante o pronunciamento, Argel afirmou que, no período anterior e durante a pandemia, passou a frequentar grupos e ambientes virtuais nos quais circulavam ideologias extremistas e discursos de ódio. O DJ reconheceu ter compartilhado dessas ideias e se descreveu como um antigo integrante da comunidade virtual conhecida como incel. Segundo ele, o contato com a arte e a cultura contribuiu para uma mudança de comportamento. “Eu sinto muita vergonha da pessoa que um dia eu já fui”, declarou, ao pedir perdão às pessoas afetadas por seus posicionamentos anteriores.
O artista também comentou a circulação de um áudio no qual aparece cantando uma música com conteúdo que banaliza a violência sexual. Ele admitiu ter reproduzido a canção, classificou o conteúdo como repugnante e afirmou se arrepender da atitude. Entretanto, negou ter cometido crimes de estupro e outros delitos sexuais que, segundo ele, passaram a lhe ser atribuídos nas redes sociais. As declarações do DJ não permitem, por si só, confirmar ou descartar eventuais denúncias criminais.
Em relação ao Cabanus, Argel afirmou que a decisão de deixar a sociedade foi definida em reunião, com o objetivo de evitar que a repercussão das próprias atitudes prejudique outros integrantes do projeto. O DJ destacou que o coletivo reúne artistas, produtores e colaboradores, incluindo pessoas LGBTQIA+, e desenvolve iniciativas culturais e sociais. Segundo ele, a organização continuará sob a responsabilidade de outras pessoas. “Ninguém é maior do que a Cabanus”, afirmou.
Antes do pronunciamento, o coletivo já havia divulgado uma nota oficial repudiando discursos de ódio e anunciado o desligamento de Argel e DJ Hibisco de todas as suas atividades. A organização também informou que o DJ não integrava mais o quadro societário. Já o Festival Psica anunciou, nesta segunda-feira (2), a retirada integral do Cabanus da programação de 2026, após tomar conhecimento de prints e áudios atribuídos a integrantes do grupo. A organização classificou o conteúdo como grave e defendeu o encaminhamento das denúncias aos órgãos competentes.
A apresentação do Cabanus estava prevista para 11 de dezembro, durante a abertura gratuita do Psica, no bairro da Cidade Velha, em Belém. O festival ressaltou que a exclusão não significa responsabilizar todos os integrantes do coletivo pelas acusações. Até o momento, não foram identificadas informações oficiais que confirmem a abertura de investigação criminal ou eventual responsabilização judicial dos envolvidos.



