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Exportações minerais do Pará crescem 23,5% e chegam a US$ 8,67 bilhões

Cobre registra alta de 75,3% nas vendas externas, enquanto arrecadação de royalties alcança R$ 1,49 bilhão e setor cria 960 empregos formais no primeiro semestre de 2026

A mineração paraense registrou crescimento nas exportações, na arrecadação de royalties e na geração de empregos formais no primeiro semestre de 2026. Entre janeiro e junho, as vendas externas de produtos minerais alcançaram US$ 8,67 bilhões, uma alta de 23,5% em comparação com os mesmos meses de 2025.

O desempenho superou o crescimento de aproximadamente 18% das exportações totais do Pará. No período, a atividade mineral respondeu por 66,7% das vendas internacionais do estado. No cenário nacional, o Pará concentrou 34,6% das exportações brasileiras de produtos minerais.

Os números constam no Panorama da Mineração do Estado do Pará, 1º Semestre de 2026, divulgado pelo Sindicato das Indústrias Minerais do Estado do Pará (SIMINERAL), com base em informações da Agência Nacional de Mineração (ANM), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e do Ministério do Trabalho e Emprego.

Para Emerson Rocha, presidente executivo do SIMINERAL, os resultados demonstram a relevância da mineração para a economia paraense, tanto pela participação nas exportações quanto pela geração de empregos, movimentação de fornecedores e arrecadação pública.

Cobre lidera avanço nas exportações

O cobre foi um dos principais responsáveis pelo crescimento das vendas externas no primeiro semestre. As exportações de minério de cobre e seus concentrados totalizaram US$ 2,68 bilhões, um aumento de 75,3% em relação ao mesmo período de 2025.

A alta foi acompanhada pelo crescimento de 20,3% no volume exportado e pela valorização de 45,7% no preço médio do mineral. Segundo o levantamento, o Pará respondeu por 99,77% das exportações brasileiras de minério de cobre e concentrados nos seis primeiros meses do ano.

O metal é utilizado em diferentes segmentos industriais, incluindo a fabricação de equipamentos elétricos e tecnologias relacionadas à transição energética. O desempenho do produto reforça a presença do estado no comércio internacional de matérias-primas minerais.

Minério de ferro continua como principal produto

Mesmo com o avanço do cobre, o minério de ferro permaneceu como o principal produto mineral exportado pelo Pará, representando 58,9% das vendas externas do setor no primeiro semestre de 2026.

O estado respondeu por 43,1% das exportações brasileiras de minério de ferro não aglomerado, atrás apenas de Minas Gerais, que concentrou 45,5%. No período, o volume exportado pelo Pará recuou 2,3%, mas o preço médio subiu 5,8%, contribuindo para um aumento de 3,4% no valor das vendas.

O minério de ferro também manteve a maior participação na arrecadação dos royalties da mineração no estado, respondendo por 68,7% do total registrado entre janeiro e junho.

Royalties chegam a R$ 1,49 bilhão

A arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), conhecida como royalties da mineração, alcançou R$ 1,49 bilhão no primeiro semestre. O valor representa crescimento de 3,7% em relação ao mesmo intervalo de 2025, com acréscimo de R$ 53,1 milhões.

A arrecadação relacionada ao cobre aumentou 45,8%, chegando a R$ 325,9 milhões. Já os valores provenientes do minério de ferro registraram queda de 5%.

Entre os municípios paraenses, Canaã dos Carajás liderou a arrecadação da CFEM, com R$ 660,4 milhões. Parauapebas apareceu na sequência, com R$ 384,6 milhões, seguida por Marabá, com R$ 227,2 milhões. Juntos, os três municípios concentraram 85,2% dos recursos arrecadados no estado.

A CFEM é uma compensação financeira devida pela exploração de recursos minerais. A distribuição dos valores entre os entes públicos segue regras legais e os recursos podem contribuir para financiar áreas como infraestrutura, saúde e educação.

Setor mineral registra saldo positivo de empregos

O mercado de trabalho também apresentou resultado positivo. De janeiro a junho, a indústria extrativa mineral registrou 3.057 admissões e 2.097 desligamentos, o que resultou em um saldo de 960 empregos formais. O resultado foi 61,6% superior ao registrado no mesmo período de 2025.

Ao final de junho, o setor empregava 30.238 trabalhadores com carteira assinada no Pará.

O impacto da atividade também alcança outros segmentos da economia, como transporte, comércio, alimentação, manutenção, construção civil e prestação de serviços. Estimativas setoriais do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) apontam que cada emprego direto na mineração pode movimentar cerca de dez postos adicionais ao longo da cadeia produtiva.

Essa relação amplia a circulação de renda e pode criar oportunidades para empresas fornecedoras e prestadores de serviços, inclusive em municípios que não abrigam diretamente operações de extração mineral.

Pará concentra produção de minerais estratégicos

O levantamento do SIMINERAL também apresenta dados consolidados da produção mineral brasileira de 2025, último ano com informações disponíveis nessa parte do relatório.

De acordo com o documento, o Pará respondeu por 92,7% da produção beneficiada de bauxita no país, mineral utilizado principalmente na fabricação de alumínio. O estado também concentrou 75% da produção nacional de caulim, empregado nas indústrias de papel e cerâmica, e 73,5% da produção de cobre.

A participação paraense chegou ainda a 58,4% da produção brasileira de manganês e a 36,9% da produção de minério de ferro. Os números mostram a importância do estado no fornecimento de matérias-primas para diferentes segmentos industriais e mercados consumidores.

China é o principal destino das exportações

A distribuição das vendas externas demonstra concentração tanto nos produtos comercializados quanto nos mercados de destino. Segundo o relatório, três produtos minerais responderam por 94,3% das exportações do setor no Pará, enquanto a China recebeu 46,6% do total vendido ao exterior.

A concentração também aparece na arrecadação dos royalties, com Canaã dos Carajás, Parauapebas e Marabá reunindo 85,2% dos recursos registrados no primeiro semestre.

Para o SIMINERAL, os resultados reforçam a importância econômica da mineração para o Pará, por meio das exportações, dos empregos e da arrecadação pública. O setor também destaca a necessidade de cooperação entre empresas, governos e sociedade para ampliar os benefícios da atividade nas regiões onde ela está presente.

O relatório completo do Panorama da Mineração do Estado do Pará, 1º Semestre de 2026 pode ser consultado no site do SIMINERAL.

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