Prefeitura de Belém registra mais de 1,5 mil encaminhamentos para avaliação auditiva pelo SUS em 2026
Rede municipal oferece avaliação, diagnóstico e reabilitação auditiva; aparelhos são fornecidos gratuitamente a pacientes com indicação clínica

Mais de 1.500 pessoas foram encaminhadas para avaliação em saúde auditiva pela rede municipal de Belém em 2026, segundo dados do Departamento de Regulação (Dere), da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma). O atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) inclui avaliação especializada, exames, indicação do aparelho auditivo e acompanhamento após a entrega.
O acesso começa nas unidades de Atenção Primária. Quando o profissional de saúde identifica a necessidade de investigação, o paciente pode ser encaminhado, por meio do Sistema Nacional de Regulação (Sisreg), para consulta especializada em otorrinolaringologia na área de saúde auditiva.
Após a triagem realizada pelo Dere e conforme a disponibilidade de vagas, os usuários são direcionados para serviços especializados, entre eles a Audioclínica, o Hospital Bettina Ferro de Souza e o Instituto de Saúde Auditiva (ISA). Nesses locais são realizados exames e avaliações para identificar a existência, o tipo e o grau da perda auditiva.
A partir dos resultados, a equipe define o aparelho de amplificação sonora individual mais adequado para cada paciente. O processo não termina com a entrega do equipamento: a reabilitação inclui seleção, programação, adaptação, orientações de uso e manutenção, além de acompanhamento especializado.
O estudante Yan Dias, de 23 anos, recebeu um aparelho pela rede municipal na sexta-feira (11). Ele relatou ter uma perda auditiva de aproximadamente 40%, principalmente nos sons graves, e afirmou esperar uma melhora na rotina acadêmica.
“Sei que esse aparelho vai fazer uma grande diferença na minha vida, principalmente na faculdade. Vou poder ouvir melhor o professor, acompanhar as conversas e aprender com mais facilidade”, contou.
Também estudante, Heloísa da Silva, de 18 anos, recebeu o equipamento e relatou dificuldades para ouvir em situações do cotidiano, inclusive na rua e durante conversas. Para ela, a expectativa é melhorar a comunicação e reduzir os obstáculos causados pela perda auditiva.
Segundo o fonoaudiólogo Leandro Torres, a indicação do equipamento leva em consideração as características de cada paciente. Existem aparelhos destinados a diferentes níveis de perda auditiva, e a adaptação precisa ser acompanhada por profissionais.
“O aparelho não é simplesmente entregue. É preciso acompanhar, fazer os ajustes necessários e orientar o paciente para que ele consiga incorporar o dispositivo à sua rotina com segurança e conforto”, explicou.
A rede também pode receber usuários que já estejam em investigação em serviços especializados. Nesses casos, quando os exames identificam uma perda auditiva e existe indicação clínica, a equipe pode solicitar o benefício por meio da regulação.
Além dos casos que já chegam aos serviços especializados, a orientação é que pessoas que percebam alterações na capacidade de ouvir procurem uma unidade de saúde. Dificuldade para compreender conversas, necessidade frequente de aumentar o volume da televisão, sensação de ouvido tampado e impressão de que outras pessoas estão falando baixo são sinais que merecem avaliação profissional.
A atenção também é importante para crianças, idosos e pessoas expostas frequentemente a ruídos intensos. A identificação precoce de alterações auditivas pode contribuir para o desenvolvimento da comunicação e da aprendizagem na infância.
Para iniciar o atendimento pelo SUS em Belém, o usuário deve procurar a Unidade de Saúde de referência. Após avaliação médica, caso haja necessidade de atendimento especializado, o encaminhamento é feito pelo Sisreg.
A coordenadora ambulatorial do Dere, Dineuza Pereira, afirmou que a organização do fluxo busca garantir que o paciente tenha acesso às diferentes etapas do cuidado, desde a avaliação especializada até a adaptação e o acompanhamento do aparelho auditivo.



