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Manauaras reclamam que Globo ignora onda de calor na cidade

Moradores de Manaus passaram a questionar nas redes sociais a falta de atenção da imprensa nacional ao período de calor e tempo seco enfrentado pela capital amazonense. As manifestações ocorreram principalmente após a repercussão de notícias sobre a onda de calor na Europa.

Em uma publicação feita no X, uma usuária criticou o destaque dado ao fenômeno climático no continente europeu e afirmou que a situação enfrentada na Amazônia também deveria receber atenção.

A postagem ultrapassou 41 mil visualizações e gerou uma série de comentários de outros usuários. Entre as manifestações, internautas afirmaram que o calor registrado na região amazônica recebe menos destaque da imprensa quando comparado a eventos climáticos ocorridos em outras partes do país e do mundo.

“Se fosse no Sudeste virava pauta até no Fantástico”, escreveu uma das pessoas que comentaram a publicação. Outro usuário afirmou que “o Norte só importa pra mídia quando convém”. Em outra resposta, uma internauta destacou que o calor na região amazônica é uma situação que ocorre diariamente.

As críticas acontecem em um momento em que Manaus enfrenta um período prolongado de tempo seco. A capital amazonense completou mais de um mês sem chuva significativa e registrou, em julho, apenas 11,6 milímetros de precipitação, o menor volume para o mês desde 2000, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

A última chuva considerada significativa na cidade ocorreu em 1º de julho. Nos primeiros 12 dias de agosto, Manaus permaneceu sem registro de precipitação, com acumulado de 0 milímetro.

O volume de julho ficou muito abaixo da média esperada para o mês, que supera os 60 milímetros. Para agosto, a previsão inicial apontava cerca de 56 milímetros de chuva, mas a continuidade do tempo seco dificulta que esse volume seja alcançado.

Calor e baixa umidade

Além da ausência de chuva, Manaus enfrenta temperaturas elevadas e níveis reduzidos de umidade relativa do ar. O índice chegou próximo de 40% na capital amazonense.

A combinação de calor e baixa umidade pode contribuir para o agravamento de problemas respiratórios e aumentar o risco de desidratação. O tempo seco também favorece o surgimento e a propagação de queimadas e incêndios.

O cenário, portanto, não se limita ao desconforto provocado pelas altas temperaturas. A estiagem prolongada também exige maior atenção para os impactos sobre a saúde e para o risco de incêndios durante o período de tempo seco.

Situação é diferente no interior do Amazonas

A ausência de chuva não ocorre de maneira uniforme em todo o Amazonas. Enquanto Manaus permanece com acumulado próximo de zero em agosto, municípios do interior registraram volumes maiores de precipitação.

Em julho, Parintins acumulou 127,4 milímetros de chuva, enquanto Manicoré registrou 57 milímetros e Itacoatiara teve 8,2 milímetros.

Nos primeiros dias de agosto, Manicoré acumulou 44 milímetros, Humaitá registrou 38 milímetros e Boca do Acre teve 26 milímetros. Manaus, por outro lado, permaneceu com 0 milímetro de precipitação no período.

O período de estiagem e calor mantém a atenção sobre a capital amazonense, enquanto moradores seguem cobrando maior visibilidade para as condições climáticas enfrentadas na região.

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