O desaparecimento de Dayse Diniz, de 25 anos, terminou de forma trágica nesta quarta-feira (29), após o corpo da jovem ser encontrado em uma área de mata, em um ramal próximo a uma chácara na região do Eixo Forte, em Santarém, no oeste do Pará. O principal suspeito, João Pedro Pereira dos Santos, confessou o crime à Polícia Civil e foi autuado por feminicídio.
Segundo as investigações, Dayse estava desaparecida desde a última sexta-feira (24), quando participou de uma confraternização em uma chácara após sair de um bar. A Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) passou a investigar o caso e identificou que João Pedro foi a última pessoa vista com a vítima.
Confissão
Durante depoimento, o suspeito afirmou que matou Dayse “porque deu vontade”. De acordo com a delegada Milla Moura, ele relatou que viu uma oportunidade por se tratar de uma mulher.
“Ele falou que deu vontade, era oportunidade, era uma mulher”, afirmou a delegada durante entrevista coletiva.
Ainda segundo a polícia, João Pedro negou ter cometido violência sexual e disse que apenas enforcou a vítima.
Corpo foi encontrado em área de mata
Após confessar o crime, o suspeito indicou aos investigadores o local onde havia escondido o corpo. A Polícia Científica realizou a perícia e encontrou a vítima em avançado estado de decomposição.
Segundo informações preliminares divulgadas pelos peritos, não foram identificados sinais aparentes de violência física nem indícios visíveis de violência sexual. No entanto, dois pedaços de cipó amarrados ao corpo reforçam a hipótese inicial de morte por asfixia.
A causa da morte e a eventual ocorrência de violência sexual ainda dependerão dos exames periciais.
Queria ser preso por roubo
A investigação revelou ainda que João Pedro já estava preso desde a tarde da última sexta-feira (24), após cometer um assalto em Santarém.
Conforme o depoimento, ele praticou o roubo de forma proposital porque acreditava que seria preso por esse crime e permaneceria menos tempo na cadeia do que se fosse responsabilizado pelo assassinato de Dayse.
Até então, a Polícia Civil ainda não possuía elementos que ligassem o suspeito ao desaparecimento da jovem.
Última pessoa vista com Dayse
As investigações apontam que, após o encerramento da confraternização, permaneceram na chácara apenas Dayse, João Pedro e outro homem.
Posteriormente, João Pedro se ofereceu para levar a jovem para casa em uma motocicleta.
Inicialmente, ele afirmou aos policiais que havia deixado Dayse na avenida Fernando Guilhon, mas imagens de câmeras de segurança desmentiram sua versão.
Diante das evidências, o suspeito voltou à delegacia e confessou o crime.
Segundo a Polícia Civil, após matar a vítima, ele ainda retornou à chácara para buscar outro amigo, simulando que havia deixado Dayse em segurança.
Amigos colaboraram com a investigação
A delegada Milla Moura informou que as demais pessoas presentes na confraternização não tiveram participação no crime.
Após a divulgação das imagens das câmeras de segurança, todos compareceram espontaneamente à delegacia e prestaram depoimento.
Segundo a investigação, os participantes haviam consumido bebidas alcoólicas durante o encontro e foram deixando o local ao longo do dia. Dayse decidiu permanecer na chácara por mais tempo e, posteriormente, aceitou a carona oferecida por João Pedro.
“Ele agiu sozinho. O crime foi cometido sozinho. Só ele vai responder”, afirmou a delegada.
Suspeito já havia sido condenado por matar outra mulher
João Pedro Pereira dos Santos possui antecedentes por outro homicídio contra uma mulher.
Em novembro de 2019, ele foi preso acusado de assassinar Naiara Lima dos Santos, em Uruará, também no Pará.
Na época, confessou ter matado a vítima a facadas alegando que ela lhe devia R$ 50 e que era “cagueta”.
Em 2023, foi condenado por homicídio qualificado. Posteriormente, a pena foi reduzida em segunda instância para 14 anos, cinco meses e oito dias de prisão.
Para a delegada Milla Moura, o novo crime evidencia uma grave reincidência de violência contra mulheres.
“Ele foi condenado por ter matado outra mulher em Uruará e agora repete o crime. A gente vê essa reincidência como alguém que acredita que, por ser homem, tem esse poder sobre as mulheres.”
Investigação continua
João Pedro permanece preso à disposição da Justiça.
Enquanto isso, a Polícia Científica segue realizando exames complementares que deverão confirmar oficialmente a causa da morte de Dayse Diniz e esclarecer todas as circunstâncias do feminicídio.



