Jornalista critica vídeo de influenciadores com búfalo no Marajó e aponta “espetacularização” da cultura local
Isis Drumond afirma que publicação reforça estereótipos sobre a Amazônia e questiona uso de tradições regionais para gerar engajamento nas redes sociais

A jornalista Isis Drumond criticou, nesta quarta-feira (15), o vídeo publicado pelo grupo de influenciadores paraenses Lia Mendonça, Chrys Dias e Débora Paixão em que um búfalo é preparado inteiro na Ilha do Marajó. Em vídeo publicado nas redes sociais, Isis afirmou que o problema não está no consumo da carne ou na tradição local, mas na transformação desse contexto em conteúdo voltado ao engajamento.
Segundo a jornalista, práticas ligadas às comunidades tradicionais e ribeirinhas fazem parte de uma relação histórica de subsistência e respeito com o território, mas perdem esse significado quando são retiradas de contexto e apresentadas em plataformas com milhões de seguidores. Na avaliação dela, a exposição de imagens de forte impacto busca provocar reações e favorece a lógica dos algoritmos das redes sociais, que recompensam conteúdos capazes de gerar indignação e comentários.
Ainda de acordo com a jornalista, a publicação contribui para reforçar estereótipos históricos sobre o Pará e o arquipélago do Marajó. Ela argumenta que, ao apresentar costumes locais sem contextualização, o conteúdo alimenta uma visão exotizada da Amazônia e reduz a identidade marajoara a um espetáculo. Para a jornalista, a busca por visualizações “atropela a ética e o respeito pela nossa própria terra”.
O vídeo que motivou a manifestação mostra Lia Mendonça ao lado dos influenciadores Chrys Dias, Débora Paixão e do cantor MC Daniel durante o preparo de um búfalo inteiro na Ilha do Marajó. A publicação viralizou e dividiu opiniões nas redes sociais. Enquanto parte dos internautas considerou o conteúdo uma forma de divulgar a cultura regional, outros classificaram a produção como exagerada e voltada exclusivamente ao engajamento.
Veja:
Após as críticas, os influenciadores afirmaram que toda a gravação foi realizada dentro da legislação vigente.



