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Falta de emprego e renda impulsiona desmatamento na Amazônia, indica estudo

Pesquisa aponta que a fragilidade econômica na Amazônia Legal favorece o apoio a atividades que degradam a floresta; especialistas defendem geração de empregos sustentáveis como parte da solução.

A falta de emprego e renda entre os habitantes da Amazônia contribui para o apoio a atividades econômicas que desconsideram os custos ambientais e climáticos, incluindo o desmatamento. A conclusão é do estudo “Rematamento produtivo, conservação e desenvolvimento econômico na Amazônia Brasileira”, divulgado por veículos como Rede Onda Digital, g1, Estadão e ClimaInfo.

Segundo a pesquisa, os amazônidas convivem com indicadores socioeconômicos inferiores à média nacional, o que cria um cenário em que atividades destrutivas acabam sendo priorizadas em detrimento da conservação ambiental.

Resumo do estudo

  • O estudo relaciona a falta de emprego e renda ao apoio a atividades econômicas que contribuem para o desmatamento.
  • Em 2021, o PIB real per capita da Amazônia Legal foi de R$ 32 mil, enquanto o restante do Brasil registrou R$ 44 mil.
  • Atividades como garimpo, exploração de madeira e criação de gado ainda sustentam parte da população local.
  • O pesquisador Salo Coslovsky defende que a preservação da floresta deve incluir políticas de geração de emprego e renda.
  • O estudo propõe o “rematamento produtivo” como estratégia para recuperar áreas degradadas e criar oportunidades econômicas sustentáveis.

Desigualdade econômica na região

O estudo destaca que os 28 milhões de habitantes da Amazônia enfrentam condições econômicas inferiores às registradas em outras regiões do país.

“As 28 milhões de pessoas que moram na região continuam a conviver com indicadores socioeconômicos notavelmente inferiores à média nacional. Em 2021, o PIB real per capita da Amazônia Legal era de R$ 32 mil, quase um terço abaixo dos R$ 44 mil registrados no restante do Brasil. Essa fragilidade econômica está intimamente ligada à escassez de bons empregos”, afirma o estudo.

Para Salo Coslovsky, professor associado da Universidade de Nova York e pesquisador do Amazônia 2030, a preservação da floresta precisa considerar a criação de empregos e renda como parte central das políticas ambientais.

Atividades econômicas ligadas ao desmatamento

Embora o discurso de preservação ambiental tenha ganhado relevância global desde a década de 1990, o desmatamento na Amazônia não foi interrompido. Segundo o estudo, isso ocorre porque parte da população da região depende economicamente de atividades que degradam a floresta, como:

  • Garimpo;
  • Exploração de madeira;
  • Criação de gado.

A pesquisa aponta que a ausência de alternativas econômicas sustentáveis reforça a permanência dessas atividades como fonte de renda para muitas comunidades.

Reflexos no comportamento eleitoral

O estudo também relaciona a situação econômica ao comportamento eleitoral em estados da Amazônia. Durante o governo de Jair Bolsonaro (2019-2022), o desmatamento na Amazônia passou de 28,5 mil km², registrados entre 2015 e 2018, para 45,6 mil km².

Mesmo com o aumento do desmate, Bolsonaro obteve entre 65% e 75% dos votos em Rondônia, Acre, Mato Grosso e Roraima na disputa pela reeleição, além de vencer no Amapá por margem apertada.

Rematamento produtivo como alternativa

Como alternativa, o estudo propõe o conceito de “rematamento produtivo”, que consiste na conversão de áreas já desmatadas e pastagens degradadas em sistemas agroflorestais baseados em espécies perenes.

De acordo com a pesquisa, a métrica de sucesso dessa estratégia não deve ser apenas a extensão de área recuperada, mas principalmente a capacidade de gerar emprego e renda para a população local.

Potencial econômico da bioeconomia

O levantamento estima que empreendimentos sediados na Amazônia faturam cerca de US$ 7,2 bilhões por ano (aproximadamente R$ 37,2 bilhões) com produtos ligados a atividades sustentáveis.

Esse valor representa cerca de 3% de um mercado global estimado em US$ 230 bilhões (aproximadamente R$ 1,2 trilhão), indicando um potencial ainda pouco explorado para a bioeconomia amazônica.

Desenvolvimento e preservação

Para os pesquisadores, a redução do desmatamento na Amazônia depende não apenas de fiscalização e controle ambiental, mas também de políticas que ampliem as oportunidades econômicas sustentáveis na região.

A proposta do estudo é que a conservação da floresta esteja diretamente associada à melhoria das condições de vida da população amazônica, por meio da geração de empregos qualificados e do fortalecimento de atividades produtivas compatíveis com a preservação ambiental.

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