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Jovem paraense cria tijolo feito de caroço de açaí e leva inovação da Amazônia para o mundo

Pesquisa desenvolvida por estudante de Moju transforma resíduos do açaí em material de construção sustentável, conquista mais de 25 prêmios e já foi apresentada em importantes feiras científicas nacionais e internacionais.

O que começou como uma observação feita por uma estudante do interior do Pará acabou se transformando em um projeto científico reconhecido internacionalmente. A pesquisadora paraense Francielly Rodrigues Barbosa, natural de Moju, desenvolveu um material experimental para construção civil utilizando caroços de açaí carbonizados misturados à argila, oferecendo uma alternativa sustentável para o reaproveitamento de resíduos abundantes na Amazônia.

A pesquisa nasceu quando Francielly ainda tinha apenas 16 anos. Incomodada com as rachaduras que observava nas paredes e pisos de diversas residências de sua cidade, ela decidiu investigar possíveis soluções que pudessem utilizar recursos disponíveis na própria região.

A resposta surgiu justamente em um dos produtos mais emblemáticos da Amazônia: o açaí.

Transformando lixo em matéria-prima

O Pará é o maior produtor de açaí do mundo. Todos os dias, milhares de toneladas da fruta são processadas para a produção da polpa, gerando uma enorme quantidade de caroços que, na maioria das vezes, acabam descartados ou utilizados como combustível de baixo valor agregado.

Foi nesse resíduo que Francielly enxergou uma oportunidade.

Após uma série de experimentos, a jovem desenvolveu um processo que consiste em carbonizar os caroços de açaí e misturá-los à argila utilizada na fabricação de tijolos.

O objetivo da pesquisa é criar um material construtivo mais sustentável, capaz de reduzir o descarte de resíduos e oferecer uma alternativa ambientalmente mais adequada para a construção civil.

Segundo informações publicadas pela Saneas Online, a mistura forma uma massa cerâmica experimental com potencial para aplicação em componentes destinados à construção de moradias.

Ciência feita na Amazônia

O diferencial do projeto está justamente na origem da solução.

Em vez de depender de tecnologias importadas ou materiais de alto custo, a pesquisa parte de um recurso abundante na própria Amazônia e de um problema observado diretamente pela comunidade.

A proposta conecta sustentabilidade, bioeconomia, reaproveitamento de resíduos e melhoria das condições habitacionais em municípios amazônicos.

Além do aspecto ambiental, o estudo também demonstra como pesquisas desenvolvidas fora dos grandes centros podem gerar soluções inovadoras para desafios locais.

Reconhecimento nacional e internacional

O trabalho rapidamente ultrapassou os limites da escola onde foi iniciado.

A pesquisa levou Francielly à Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), considerada a maior competição científica estudantil do país.

A participação abriu portas para novos eventos, publicações científicas e apresentações em ambientes de inovação no Brasil e no exterior.

Segundo a revista Forbes, que incluiu Francielly na lista Under 30 Brasil 2024 na categoria Ciência e Educação, o projeto também foi apresentado em um laboratório de inovação ligado ao Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), em parceria com a Universidade Harvard, nos Estados Unidos.

Ao longo da trajetória, a jovem acumula mais de 25 premiações em feiras científicas nacionais e internacionais.

Engenharia e compromisso com Moju

Atualmente estudante de Engenharia de Produção na Universidade Federal do Pará (UFPA), Francielly afirma que sua principal motivação continua sendo contribuir para o desenvolvimento da cidade onde nasceu.

Em entrevista à Forbes, resumiu esse objetivo em uma frase que passou a representar sua trajetória:

“Quero transformar Moju em um polo científico.”

A declaração evidencia o desejo de fortalecer a produção de conhecimento na própria Amazônia, incentivando que soluções para os desafios regionais sejam desenvolvidas por pesquisadores locais.

Potencial para a bioeconomia

Especialistas apontam que iniciativas como essa reforçam o potencial da bioeconomia amazônica.

Ao agregar valor a um resíduo que normalmente seria descartado, pesquisas desse tipo contribuem para ampliar a cadeia produtiva do açaí e estimular o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis.

Além da construção civil, o aproveitamento de resíduos agrícolas é considerado estratégico para reduzir impactos ambientais e criar novas oportunidades econômicas para comunidades da região.

Pesquisa continua em desenvolvimento

Apesar do reconhecimento alcançado, o tijolo desenvolvido por Francielly ainda é tratado como um material experimental.

Até o momento, não há divulgação de produção industrial em larga escala nem de utilização comercial consolidada na construção civil.

Mesmo assim, o projeto já é considerado um exemplo de como ciência, educação e inovação podem surgir a partir de problemas cotidianos observados na Amazônia.

Mais do que desenvolver um novo material, a jovem pesquisadora transformou um resíduo abundante da maior cadeia produtiva amazônica em símbolo da capacidade científica produzida no interior do Pará, levando o nome de Moju para alguns dos principais ambientes de inovação do mundo.

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