O caso do apartamento tomado por cerca de 400 gatos em Concórdia, no Oeste de Santa Catarina, teve origem em um processo de reprodução descontrolada iniciado há mais de uma década, segundo informou a Diretoria de Proteção e Bem-estar Animal do município.
De acordo com a prefeitura, a tutora — uma senhora aposentada — possuía inicialmente apenas um casal de gatos. Sem castração e sem controle populacional, os animais passaram a se reproduzir continuamente dentro do imóvel ao longo dos anos, até transformar o apartamento em um ambiente de superlotação extrema.
Segundo o município, todos os felinos nasceram no próprio apartamento. A diretoria afirma que a moradora não costumava recolher animais abandonados das ruas, mas perdeu completamente o controle sobre a quantidade de gatos presentes no imóvel.
Imagens divulgadas pela prefeitura mostram dezenas de animais aglomerados em cômodos, janelas, móveis e corredores da residência, em condições consideradas insalubres. Muitos gatos apresentam sinais de doenças, desnutrição e debilidade física.
O caso ganhou maior repercussão após a assinatura de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), firmado no fim de abril entre a tutora e o município após atuação do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).
Pelo acordo, a prefeitura assumiu o compromisso de organizar o processo de castração dos animais e encaminhá-los posteriormente para organizações de proteção animal responsáveis pela adoção.
No entanto, ao entrarem no imóvel, equipes da Diretoria de Proteção Animal e voluntários identificaram um cenário mais grave do que o esperado.
“A problemática se tornou ainda maior quando percebemos que parte dos animais estava doente devido às condições da moradia e ao compartilhamento do espaço com muitos gatos”, informou a diretoria.
Segundo o município, diversos animais já morreram em decorrência das condições precárias do ambiente e outros seguem em tratamento.
Para auxiliar na situação, o curso de Medicina Veterinária do Instituto Federal Catarinense (IFC) passou a colaborar no atendimento clínico dos gatos, além da realização da microchipagem dos animais.
Antes da castração, os felinos precisam cumprir um período de quarentena dentro do próprio apartamento, justamente para evitar a transmissão de doenças para outros animais que possam ter contato durante o processo de acolhimento e adoção.
Os gatos mais debilitados recebem acompanhamento veterinário específico antes de serem encaminhados para os procedimentos cirúrgicos.
O caso também reacendeu o debate sobre abandono animal, controle populacional de cães e gatos e a importância da castração preventiva para evitar situações de superlotação e maus-tratos involuntários.



