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Insegurança no trajeto afeta 10,8% dos estudantes no Pará, aponta IBGE

Pesquisa do IBGE revela que 10,8% dos estudantes paraenses faltaram às aulas por insegurança no trajeto. No Brasil, problema atinge 12,5% dos alunos e é mais grave entre estudantes da rede pública.

A insegurança no caminho entre casa e escola tem impactado diretamente a frequência de estudantes no Pará. De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgada pelo IBGE, 10,8% dos alunos de 13 a 17 anos no estado deixaram de ir às aulas nos 30 dias anteriores ao levantamento por medo no trajeto.

O dado revela um cenário preocupante, embora abaixo da média nacional, que é de 12,5% — o equivalente a cerca de 1,54 milhão de adolescentes em todo o país.

Medo também dentro da escola

Além do trajeto, a sensação de insegurança também está presente dentro das próprias instituições de ensino. Em nível nacional, 13,7% dos estudantes afirmaram ter faltado às aulas por não se sentirem seguros no ambiente escolar — um aumento de 2,9 pontos percentuais em relação a 2019.

Desigualdade entre redes

A pesquisa evidencia ainda uma forte desigualdade entre estudantes da rede pública e privada.

No Brasil, 13,8% dos alunos de escolas públicas faltaram às aulas por medo no trajeto, enquanto entre estudantes da rede privada o índice é de 5,4% — menos da metade.

Violência no entorno escolar

A percepção de violência nas áreas próximas às escolas também é elevada. Segundo diretores e responsáveis pelas instituições:

  • 38% dos estudantes estão em escolas localizadas em áreas com presença de venda de drogas
  • 28,4% em locais com registros de assaltos e roubos
  • 16,7% com relatos de agressão física
  • 13,6% com ocorrência de tiros ou tiroteios
  • 10,7% com registros de assassinatos
  • 9,8% com casos de violência sexual

Esses fatores contribuem diretamente para o aumento do medo e da evasão escolar.

Contexto nacional

Embora o Pará apresente índice abaixo da média nacional, o problema da insegurança escolar é generalizado no Brasil.

Estados como o Rio de Janeiro (25,6%), Bahia (22%) e Rio Grande do Norte (15,9%) registram os maiores impactos, com escolas chegando a suspender atividades por questões de segurança.

Desafio para políticas públicas

Os dados reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas à segurança no entorno escolar e ao transporte seguro de estudantes, especialmente na rede pública.

Garantir o acesso à escola não depende apenas de infraestrutura e ensino de qualidade, mas também de condições básicas de segurança para que alunos possam frequentar as aulas com regularidade.

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