Falta de absorventes faz 18,8% das adolescentes faltarem à escola no Pará, aponta IBGE
Dados do IBGE revelam que quase 1 em cada 5 adolescentes paraenses já faltou à escola por falta de absorvente. O Pará também tem baixa oferta do item nas instituições de ensino, com apenas 43,3% das estudantes atendidas.
A falta de acesso a absorventes íntimos segue impactando a rotina escolar de adolescentes no Pará. De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgada pelo IBGE, 18,8% das estudantes de 13 a 17 anos no estado deixaram de ir à escola ao menos um dia nos últimos 12 meses por não terem o item.
O índice paraense está acima da média nacional, que é de cerca de 15%, evidenciando um problema mais acentuado no estado.
Desigualdade entre redes de ensino
O levantamento também revela diferenças significativas entre as redes de ensino. Em todo o Brasil, cerca de 17% das alunas da rede pública faltaram às aulas por falta de absorvente, enquanto na rede privada o percentual cai para 6%.
A pesquisa abrange mais de 12,3 milhões de estudantes em todo o país e é realizada pelo IBGE em parceria com o Ministério da Saúde, com apoio do Ministério da Educação.
Norte tem menor acesso
Outro dado preocupante está na oferta institucional de absorventes. A Região Norte apresenta o pior cenário do país: apenas 56% das estudantes estão em escolas que fornecem o item.
No Pará, a situação é ainda mais crítica. Apenas 43,3% das alunas estudam em instituições que disponibilizam absorventes, colocando o estado entre os piores índices do Brasil — à frente apenas de Roraima (38,5%).
Comparação com outros estados
Enquanto estados como Santa Catarina, Goiás e São Paulo apresentam mais de 93% de cobertura na oferta de absorventes nas escolas, o Pará segue distante desse padrão.
Santa Catarina, por exemplo, também registra o menor índice de faltas por esse motivo (9,2%), enquanto o Amazonas apresenta o maior (27,9%).
Impacto social e educacional
A falta de acesso a itens básicos de higiene menstrual afeta diretamente a frequência escolar e reforça desigualdades sociais, especialmente entre estudantes da rede pública e de regiões mais vulneráveis.
O cenário reforça a importância de políticas públicas voltadas à chamada dignidade menstrual, garantindo acesso a produtos essenciais e reduzindo barreiras à permanência das adolescentes na escola.



