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Novo vídeo do desabamento da Ponte JK revela últimos momentos de jovem vítima da tragédia

Um novo vídeo do desabamento da Ponte Juscelino Kubitschek trouxe à tona, mais uma vez, a dimensão da tragédia que marcou o fim de 2024 e deixou cicatrizes profundas em dezenas de famílias.

Entre as cenas mais impactantes está a de Lorena Ribeiro Rodrigues, de 25 anos. Ela aparece atravessando a ponte de motocicleta no exato momento em que a estrutura começa a ceder. Por alguns segundos, a moto ainda segue em linha reta, como se nada tivesse acontecido. Em seguida, tudo desaparece em meio à poeira, ao colapso e ao vazio que se abre sobre o Rio Tocantins.

Lorena é uma das 14 vítimas fatais do acidente.

As imagens, divulgadas recentemente nas redes sociais, mostram diferentes ângulos da queda da ponte, que ligava cidades entre o Tocantins e o Maranhão. Caminhões, carros e motocicletas são lançados junto com a estrutura no momento do colapso, ocorrido na tarde de 22 de dezembro de 2024.

Uma tragédia anunciada

Para quem acompanhava a situação da ponte, o desastre não foi exatamente uma surpresa. Construída na década de 1960, a estrutura já apresentava sinais claros de desgaste. Mesmo após reparos realizados anos antes, problemas persistiam — e eram visíveis.

Moradores da região relatam que alertas sobre as condições da ponte haviam sido feitos dias antes do desabamento. No momento exato da queda, inclusive, um vereador gravava um vídeo denunciando a precariedade da estrutura.

O que veio depois foi uma sequência de cenas difíceis de esquecer: veículos despencando, cargas perigosas sendo arrastadas para o rio e famílias mergulhadas em desespero à espera de notícias.

Além das 14 mortes confirmadas, três pessoas seguem desaparecidas, e uma ficou ferida.

Dor que não passa — e justiça que não chega

Mais de um ano depois, o sentimento predominante entre familiares e vítimas é de abandono.

Segundo advogados que acompanham o caso, as imagens agora divulgadas já estavam anexadas ao processo judicial, que corre sob sigilo. Para eles, o conteúdo reforça o que muitos já defendem: o colapso não foi uma fatalidade, mas resultado de negligência.

A advogada Melissa Fachinello, que representa empresas e pescadores afetados, foi direta ao comentar o caso. Para ela, houve omissão, e as vítimas seguem sem respostas concretas.

As indenizações, até o momento, não foram pagas.

Em nota, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) informou que os processos estão na Justiça e que não há prazo definido para conclusão. As ações envolvem pedidos por danos morais, materiais, lucros cessantes e até impactos ambientais.

O que ficou

A antiga ponte já não existe mais. O que restou da estrutura foi demolido em fevereiro de 2025. Uma nova travessia foi construída e inaugurada exatamente um ano após o desastre.

Mas, para muitas famílias, nada substitui o que foi perdido.

Os vídeos que agora circulam não são apenas registros de um acidente. Eles são lembretes duros de vidas interrompidas, de histórias que não tiveram continuidade e de uma dor que insiste em permanecer — especialmente enquanto respostas e responsabilizações ainda parecem distantes.

No meio de tudo isso, a imagem de Lorena segue como símbolo silencioso da tragédia: alguém em movimento, seguindo seu caminho, até que, em segundos, tudo desaparece.

VEJA VÍDEO:

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