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Hospitais regionais de portas fechadas e a crise da saúde pública nos municípios

Prefeito de Marabá cobra definição de responsabilidades entre Estado e municípios e cita impacto no atendimento regional

Desabafo do prefeito de Marabá, delegado Toni Cunha, expõe um problema estrutural da saúde pública brasileira, especialmente aqui no Pará: a sobreposição confusa de responsabilidades entre estados e municípios. Toni diz que o Hospital Municipal de Marabá não está suportando, embora não se negue a atender, uma demanda de dezenas de cidades vizinhas, enquanto o Hospital Regional, que deveria fazer esse papel, cruza os braços e se mantém fechado para essa população.

Os hospitais regionais, como o de Marabá, deveriam funcionar como retaguarda estratégica para casos de média e alta complexidade. Se operam sem pronto-socorro ou com número reduzido de leitos, deixam de cumprir sua finalidade maior, que é salvar vidas. Diferente do que acontece no Ceará, onde hospitais de estruturas similares funcionam de portas abertas atendendo diretamente à população.

O debate não pode ser reduzido a um embate político circunstancial. Trata-se de planejamento regional de saúde, financiamento adequado e ajuste na pactuação federativa. Os chamados municípios-polo não podem arcar sozinhos com o peso de uma rede que, por definição, deveria ser compartilhada. Se a saúde é a principal preocupação da população, como indicam pesquisas recorrentes, o mínimo que se espera é coordenação e não negação. Muito menos improviso.

Toni Cunha chama atenção para municípios polos regionais, como Marabá e Santarém, que se veem obrigados a ficar de portas abertas para atender também a população de municípios vizinhos. Em Marabá, por exemplo, o hospital municipal, atende cerca de 1 milhão de habitantes, o que faz com que a sua estrutura esteja sempre lotada, ficando assim com o peso desses serviços de saúde, quando deveria ter um aporte do Estado.

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