Trump culpa Noruega por não vencer Nobel e diz não se sentir “obrigado a pensar apenas na paz”
Presidente dos EUA reagiu à negativa do prêmio e voltou a pressionar Dinamarca sobre controle da Groenlândia
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em uma carta enviada ao primeiro-ministro da Noruega que “não se sente mais obrigado a pensar apenas na paz” após não ter recebido o Prêmio Nobel da Paz. A informação foi divulgada pela agência Reuters.
A mensagem foi endereçada ao premiê norueguês Jonas Gahr Støre no domingo (18). No texto, Trump declarou que seu país teria deixado de conceder o prêmio apesar de, segundo ele, ter “parado mais de oito guerras”.
“Dado que seu país decidiu não me conceder o Prêmio Nobel da Paz por eu ter parado mais de 8 guerras, já não me sinto obrigado a pensar exclusivamente na paz — embora ela continue sendo predominante — e agora posso pensar no que é bom e adequado para os Estados Unidos da América”, escreveu Trump.
Contexto diplomático
De acordo com a Reuters, a carta foi uma resposta a uma mensagem enviada ao presidente americano pelo primeiro-ministro da Noruega e pelo presidente da Finlândia, Alexander Stubb, que se opuseram à decisão de Trump de impor tarifas a aliados europeus. As medidas teriam sido motivadas pela recusa desses países em permitir que os Estados Unidos assumissem o controle da Groenlândia.
Trump voltou a questionar a soberania da Dinamarca sobre o território e alegou a existência de uma ameaça russa e chinesa na região.
“A Dinamarca não consegue proteger aquela terra da Rússia ou da China. Não há documentos escritos que comprovem a posse; é apenas o fato de um barco ter desembarcado lá há centenas de anos”, afirmou.
O presidente também declarou que fez mais pela Otan do que qualquer outro líder desde a criação da aliança e que, agora, a organização deveria “fazer algo pelos Estados Unidos”. Segundo Trump, “o mundo não estará seguro” sem o controle total da Groenlândia pelos EUA.
Reação da Noruega
Nesta segunda-feira (19), Jonas Gahr Støre afirmou que a carta foi uma resposta direta a uma mensagem enviada por ele ao presidente americano para questionar as tarifas impostas à Noruega. Em comunicado, o premiê destacou que a decisão de compartilhar a correspondência partiu do próprio Trump.
Sobre o Nobel da Paz, Støre reforçou que o prêmio é concedido por um comitê independente, e não pelo governo norueguês.
“Expliquei de forma clara, inclusive ao presidente Trump, que o Prêmio Nobel da Paz é decidido por um Comitê Nobel independente”, afirmou.
Pressão sobre a Groenlândia
No domingo, Trump voltou a pressionar a Dinamarca em publicações na rede Truth Social, afirmando que “chegou a hora” de resolver a questão da Groenlândia. O presidente acusou o governo dinamarquês de falhar em conter a influência russa na região, apesar de alertas da Otan ao longo das últimas duas décadas.
A proposta de incorporação da Groenlândia aos Estados Unidos foi rejeitada tanto por Copenhague quanto pelo governo autônomo da ilha. Autoridades dinamarquesas reiteraram que o território não está à venda e que já é protegido pelo acordo de defesa coletiva da Otan.



