CORONA VÍRUS

A pandemia que mata pessoas, direitos e alimenta o monstro

Por Bernardino Greco

À esta altura do campeonato, praticamente todos já perderam algum parente, amigo ou conhecido para a Covid-19. A maioria já sabe ou deve saber que a doença é de rápida contaminação e que, embora afete poucas pessoas (em termos percentuais), leva à internação que esgota os leitos de um já combalido sistema de saúde (público e privado).

O discurso de preocupação com a vida da população, contudo, encobre problemas. O mais visível – escancarado no próprio discurso – é o de que nosso sistema de saúde não é capaz de suportar o número de pessoas que precisarão ser internadas. Essa justificativa também foi dada em outros países bem mais desenvolvidos que o Brasil, inclusive, sem os costumeiros escândalos de corrupção. Muitos países adotaram o isolamento como a solução para o problema, o que acabou sendo copiado por nós.

Ocorre que decisões tão complexas não devem ser tomadas sem levar em consideração todas as condições específicas do país. Em outras palavras, o Brasil não é a China, nem Espanha ou Estados Unidos. Nosso território, clima, população, infraestrutura e recursos financeiros são bastante diferentes. Esses fatores devem ser considerados. O dilema vidas X economia é um dos maiores embustes da história. E é de uma tremenda maldade argumentativa.

Com medo de assumir que os números importam e que cuidar deles também é cuidar de vidas, boa parte dos governantes impôs medidas tão restritivas que causaram o fechamento de empresas e perda de inúmeros empregos. A economia que a reforma da previdência alcançaria em 10 anos foi consumida em dois meses. O déficit projetado para 2020 já passa dos R$ 800 bilhões de reais. Nosso custo já supera 90% do PIB. O Brasil está à beira da bancarrota, respirando por aparelhos. Já se sabe o que vai acontecer.

Os problemas que já temos serão agravados. Faltará dinheiro para escolas e professores, hospitais e médicos e uma série de atividades, serviços e servidores custeados pelo poder público. E a iniciativa privada, já sufocada, também não suportará essa conta. E muito mais pessoas morrerão por conta dos nossos problemas crônicos como falta de saneamento, hospitais, médicos, agravados pela falta de dinheiro.

O que precisamos agora? Colocar a cabeça no lugar e pensar de forma fria e responsável, sem jogos emocionais ou políticos. O que poderia ter sido feito antes, de forma consciente, gradual e, por bem, terá que ser acelerado. Mas tem que ser feito, a não ser que se queira cavar mais fundo o buraco em que o país se encontra. Dois são os caminhos: aquele que nos trouxe a este ponto e o que nos possibilitará o desenvolvimento.

O que nos trouxe até aqui foi a forte presença estatal, assumindo responsabilidades e para isso aumentando o seu tamanho, regulamentação, custo, tributos e, consequentemente, diminuindo a liberdade e a capacidade financeira da esmagadora maioria dos cidadãos.

O estado, denominado “leviatã” (monstro mitológico) na obra de Thomas Hobbes, criou, alimentou e viu crescer uma casta de privilegiados – no serviço público e também na iniciativa privada (os escolhidos) – bem como possibilitou o crescimento da corrupção que impede a chegada de recursos aos serviços essenciais. Não podemos insistir nesse modelo.

A alternativa boa é o enxugamento do estado, com privatizações e redução de responsabilidades (assegurada a presença para garantir direitos fundamentais). É o chamado liberalismo econômico que, aliado ao liberalismo político (limitações constitucionais ao poder do estado) nos proporcionará a possibilidade de crescer e melhorar a condição de vida de todos.

Mesmo conscientes da necessidade de seguir esse caminho, é preciso ter coragem para dar os primeiros passos. Nosso sistema político, com eleições a cada dois anos, mandatos curtos e com direito a reeleição estimulam a adoção de políticas populistas e, sempre, irresponsáveis, em detrimento de ações que envolvem mais recursos e dão resultado em longo prazo (investimentos em saneamento básico, educação e saúde, por exemplo).

Mas a pandemia gera insegurança, medo e mais pressão sobre os governantes que (mesmo bem intencionados) adotam medidas mesmo sabendo que irão causar a bancarrota de empresas e deixarão famílias sem recursos para se sustentar. A ajuda governamental é insuficiente e, ainda assim, limitada a quantidade de recursos existentes (restou muito pouco).

Enquanto não são tomadas medidas que realmente o país precisa, os ícones da boa gestão, da preocupação com o povo, são aqueles que levantam as bandeiras do “use máscara” ou “fica em casa”, enquanto adquirem, sem licitação, e por preço absurdo, respiradores que não funcionam ou anunciam gastos milionários com reformas de estádios ou mesmo em obras de jardinagem.

No campo da imagem política, sabem que o isolamento evita algumas mortes agora, mas causa uma quebradeira geral na economia, o que também causará mortes no futuro. É como gastar um pouco à vista ou bastante a prazo. O que os governos escolheram foi, conscientemente, somar atuais mortos (fazendo algo que pareça eficaz) com os do futuro (colocando a culpa nos problemas do próprio modelo de estado, nas próximas administrações etc). O importante é não deixar seus nomes carimbados nas atuais vítimas da Covid-19.

Aos bons governantes, contudo, só posso pedir que não acabem de vez com a chance das pessoas produzirem, trabalharem, gerarem recursos e sustentarem suas famílias. Sejam corajosos com a opinião pública e adversários políticos. Escolham o lado de quem precisa trabalhar para sobreviver, antes que seja tarde, pois a economia não aguenta e mais pessoas morrerão por isso.

Somente a longo prazo as medidas de reestruturação do estado surtirão efeito. Para o hoje, o fundamental é que a economia funcione a pleno vapor. Permitam a total reabertura! E façam isso logo!

Bernardino Greco é advogado, ativista liberal e membro do Partido Novo.

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