A empresa Systemica venceu o primeiro leilão do Brasil destinado à recuperação de uma floresta desmatada para a exploração de créditos de carbono. O resultado foi anunciado nesta sexta-feira (28) na sede da B3, em São Paulo, onde ocorreu o leilão organizado pelo Governo do Pará. A concessão envolve a restauração ecológica de uma área de 10 mil hectares na Unidade de Recuperação Triunfo do Xingu, localizada no município de Altamira, no sudoeste do estado.
O contrato terá duração de 40 anos e deve ser assinado nos próximos dois meses. A Systemica, que já desenvolve projetos de REDD+ (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal), será responsável por reflorestar a área degradada e, posteriormente, comercializar os créditos de carbono gerados pela recuperação da vegetação nativa. Esses créditos podem ser adquiridos por empresas que buscam compensar suas emissões de gases de efeito estufa.
O governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), celebrou a iniciativa e destacou a importância da participação do setor privado na recuperação ambiental.
“Estamos certos de que o sucesso deste leilão aponta para o Brasil um novo modelo estratégico de recuperação florestal com a participação da iniciativa privada. Com o ativo florestal recuperado, podemos permitir a comercialização do crédito de carbono gerado nessa área, avançando na recuperação de áreas degradadas e promovendo sustentabilidade ambiental, econômica e social”, declarou Barbalho.
Modelo inédito no Brasil
O leilão realizado pelo governo paraense representa um marco na regulamentação do mercado de carbono no país. A legislação que estabelece regras para esse setor foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em dezembro de 2024 e permite que empresas adquiram créditos de carbono para compensar suas emissões de CO₂, um dos principais responsáveis pelo aquecimento global.
A área concedida está situada dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, uma das mais pressionadas pelo desmatamento ilegal na Amazônia. O projeto piloto da Systemica abre caminho para futuras concessões voltadas à recuperação ambiental e à exploração econômica sustentável na região.
De acordo com o governo do Pará, a concessão prevê a recuperação da biodiversidade, a restauração dos serviços ecossistêmicos e a geração de empregos. A estimativa é que o projeto crie cerca de 2 mil postos de trabalho diretos e indiretos e movimente uma receita de R$ 869 milhões ao longo de quatro décadas.
Além disso, a restauração da vegetação permitirá o sequestro de 3,7 milhões de toneladas de carbono ao longo dos 40 anos de concessão. No mercado de carbono, cada crédito equivale a uma tonelada de CO₂ que deixou de ser emitida ou foi retirada da atmosfera.
A concessão também estabelece obrigações para a Systemica, incluindo:
- Contratação e capacitação de mão de obra local;
- Apoio a cadeias produtivas agroflorestais;
- Parcerias comunitárias para fornecimento de insumos, mudas e sementes para a restauração.
Por sua vez, o Estado oferecerá suporte com a regularização fundiária e ambiental, além de investimentos em segurança, infraestrutura, logística e serviços públicos para as comunidades locais.
Expansão do modelo
O governo do Pará planeja conceder mais 20 mil hectares para projetos semelhantes dentro da APA Triunfo do Xingu, embora ainda não tenha definido datas para esses novos leilões. A área total da APA é de 1,6 milhão de hectares e abrange os municípios de Altamira e São Félix do Xingu.
O edital da concessão de 10 mil hectares foi anunciado em novembro de 2024, durante a COP29, no Azerbaijão. O modelo de concessão permite a exploração econômica da floresta por meio de atividades sustentáveis, como produtos madeireiros e não madeireiros, além da comercialização de créditos de carbono.



