Mortalidade em UTIs públicas pela covid-19 é o dobro de hospitais privados, aponta pesquisa

De 13.941 pacientes tratados com o novo coronavírus, a taxa de mortalidade nas unidades privadas ficou em 19,5%, enquanto em hospitais públicos chegou a 38,5%, segundo dados do projeto “UTIs Brasileiras”, produzido pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), entre 1º de março e 15 de maio.
Outros indicadores do mesmo levantamento ajudam a entender o motivo da mortalidade mais alta para pessoas com a mesma doença. O principal deles é referente a demora de acesso aos serviços, que aumenta a gravidade dos pacientes que chegam para tratamento em um leito de terapia intensiva no serviço público.
Outro dado importante para essa referência é a quantidade de doentes que necessitam de ventilação mecânica na UTI: 36,8% no caso das particulares e 66,5% nas públicas. No caso de pacientes com essa necessidade, os dados revelam uma diferença menor da mortalidade entre redes pública e privada: 70,5% e 63,6%, respectivamente.
Com mais óbitos, outro indicador —a taxa de mortalidade padronizada (número da divisão entre o percentual de morte esperada pelos indicadores de cada paciente e o percentual de óbitos consumados)— também é bem maior nas UTIs dos hospitais públicos: 2,02, contra 1,41 nos privados. O ideal é que essa taxa fique sempre próximo 1, ou seja, que não morram mais pacientes que o esperado pela sua idade, gravidade do caso ou comorbidades.
Para o diretor da Amib, Hugo Urbano, as filas de espera por leito de UTI formada em muitos estados devem ter sido determinantes para que pacientes agravassem seus quadros clínicos.
“Com certeza isso agrava o quadro. Em muitos lugares foram montados hospitais de campanha etc. (sem UTIs), e os médicos para cuidar de pacientes graves tiveram de ser convocados às pressas, não tinham essa experiência necessária”, diz.
Fonte: UOL



