AGRONOTÍCIASParáREGIONAL

Gergelim se torna opção rentável na safrinha e vive “boom” no Pará

Na busca por uma cultura lucrativa durante a entressafra no Pará, o produtor Ricardo Balestreri decidiu apostar no plantio de gergelim há três anos, em Paragominas, logo após a colheita da soja, sua principal fonte de renda. O gergelim apresentou-se como uma opção vantajosa devido ao baixo custo de produção, adaptabilidade ao clima paraense e boa rentabilidade.

Um dos diferenciais que levaram Balestreri a optar pelo gergelim foi o custo de produção, que varia entre R$ 1.000 e R$ 1.500 por hectare, enquanto o milho safrinha pode chegar a R$ 5.000. Além disso, o grão adapta-se bem ao clima da região. Atualmente, o Pará ocupa o segundo lugar em produtividade de gergelim no Brasil, ficando atrás apenas de Canarana, no Mato Grosso.

A rentabilidade do cultivo de gergelim também é um atrativo para os produtores. Em média, cada hectare produz cerca de 1.400 quilos do grão, com um valor de R$ 5,50 por quilo, o que resulta em um lucro de aproximadamente R$ 7.700 por hectare.

A região da Amazônia Oriental, especialmente Paragominas e cidades vizinhas, experimentou um “boom” no cultivo de gergelim nos últimos cinco anos, quando produtores de Mato Grosso introduziram algumas variedades da planta na região. Com expectativas otimistas, Balestreri projeta uma produtividade do gergelim “1.000% melhor” para o próximo ano, com redução nos custos de produção, que poderão chegar a R$ 700 por hectare.

Uma vantagem adicional do cultivo de gergelim é a possibilidade de cultivá-lo em conjunto com o milho na entressafra, o que desperta interesse dos produtores. Balestreri afirma que é possível manejar as duas culturas na mesma área, destinando 30% para o milho e o restante para o gergelim.

Quanto à comercialização, aproximadamente 90% da produção de gergelim no Brasil é exportada, enquanto apenas 10% fica no país. Os principais compradores são os países asiáticos, que têm grande demanda por óleo de gergelim, e as nações de descendência muçulmana, para as quais o grão é uma importante fonte de proteína, assim como o feijão é para os brasileiros. México e países europeus também estão entre os clientes do gergelim de Paragominas.

Apesar de o Brasil ainda ser considerado um pequeno produtor de gergelim, a Embrapa Amazônia Oriental está trabalhando no melhoramento genético da cultura para aumentar sua rentabilidade. Desde 2019, a instituição realiza pesquisas e introduz variedades de gergelim adaptadas às condições de Paragominas. Roni de Azevedo, supervisor da Embrapa na região, estima que o Pará tenha atualmente cerca de 120 mil hectares plantados com gergelim, em comparação com 1 milhão de hectares de soja.

Apesar do potencial de crescimento do cultivo de gergelim, ainda há desafios a serem enfrentados, como a falta de estudos mais aprofundados sobre a cultura, questões relacionadas à qualidade das sementes, sistemas de plantio, doenças e pragas. A colheita também apresenta desafios, pois a planta é deiscente e pode ocorrer desperdício de 40% a 45% do gergelim, dependendo do manejo.

Com o avanço das pesquisas e a expansão do cultivo de gergelim, espera-se que a cultura se consolide como uma opção rentável na safrinha do Pará, proporcionando oportunidades para os produtores e contribuindo para o desenvolvimento econômico da região.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo
Fechar