Pets em risco: Hospital veterinário de Belém opera na precariedade
Eis uma cidade que carrega uma sina de ter maus gestores: esta é Belém. O reflexo está aí todos os dias com queda na qualidade de vida, falta de emprego e precariedade nos serviços públicos. Quem pode ir embora de Belém, não pensa duas vezes em tomar essa decisão. O certo é que aqui deixou de ser há muito tempo um lugar bom para viver.
Como se já não bastasse o caos que a saúde pública municipal vem enfrentando, nem os cães e gatos de Belém estão a salvo no único hospital veterinário público da cidade.
O Hospital Veterinário Dr. Vahia passou a atender apenas casos de emergência, que envolvam risco de morte do animal, de acordo com a classificação mundial de risco. Além das mudanças no formato de atendimento, o procedimento de triagem dos animais passou a ser realizado no horário de 7h30 às 12h, já consultas e exames seguem sendo realizados mediante agendamento prévio por telefone. De acordo com a Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma), as alterações são temporárias e foram estabelecidas para reorganizar fluxos internos nos procedimentos de assistência aos animais.
No entanto, tal como acontece nas UPAS e Prontos-Socorros, funcionários e usuários denunciam a superlotação do local, falta de insumos para curativos e cirurgias, e falta de repasses para empresa terceirizada de limpeza.
Em frente ao hospital foi instalada uma tenda onde os usuários aguardam a primeira triagem, onde são apresentados os documentos de identificação e comprovante de residência, e distribuídas senhas. Após a primeira etapa, os tutores são chamados por ordem para preencher uma ficha de atendimento e em seguida aguardam, junto ao animal de estimação, pela consulta médica.
A vendedora Ane Cristina Ribeiro trabalha todos os dias com a venda de água, refrigerantes e comida em frente ao hospital veterinário, e acompanha de perto a rotina dos usuários e funcionários. Ela afirma que a equipe faz o que pode pelo atendimento aos animais, mas não tem as condições adequadas de trabalho.
“O problema não é de funcionários, até porque eles fazem o que pode, o problema é a dificuldade com relação a material. Faz um bom tempo que a Prefeitura não está mandando material, por exemplo, pra fazer o trabalho de ortopedia, aí o animal acaba sendo transferido porque não tem como. É triste a pessoa chegar com o animal com a pata quebrada, sem condições financeiras, aí mandam pra Ufra e chegando lá tem que pagar uma parte do procedimento no dinheiro. Aqui não, as pessoas vêm porque é de graça e porque precisam, mas não tem material”, destaca.



