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Estudo alerta para queda do calendário vacinal

O Instituto de Estudos para Políticas de Saúde apresentou um relatório acerca da Cobertura Vacinal do Brasil nos últimos anos e fornece um panorama da situação em 2020, primeiro ano da pandemia do novo coronavírus. O objetivo do estudo visa contribuir para o monitoramento e a análise das políticas de vacinação no país.

A conscientização sobre a importância da vacina é um assunto bastante discutido atualmente, visto que elas atuam na defesa do organismo contra agentes infecciosos e bacterianos.

Os agentes comunitários e os dias nacionais de vacinação têm um papel importante neste contexto, pois ajudaram a estimular e conscientizar da importância da vacina. Contudo, apesar das altas taxas de cobertura vacinal terem perdurado durante muitos anos, este desempenho tem declinado e doenças imunopreveníveis ressurgiram nos últimos anos.

Para o presidente da Federação Nacional dos Estabelecimentos de Serviços de Saúde (FENAESS), Breno Monteiro, o estudo traz informações importantes par alertar a população sobre a imunização de doenças até então controladas. “Apesar de o Brasil ter um programa Nacional de Imunização que é referenciado no mundo, por sempre ter tido altas taxas de cobertura, com uma inclusão ampla de imunizantes, o que se vê é que nos últimos cinco anos a queda na taxa de cobertura das principais vacinas dos recém-nascidos e idosos, e isso faz com que haja o ressurgimento de doenças que estão sob controle”, avalia.

Breno Monteiro, presidente da Fenaess

A vacinação no país já foi eleita sucessivamente uma das dez maiores conquistas da saúde pública no último século, sendo responsável por uma redução da morbidade e mortalidade por doenças infecciosas em todo o mundo. E nesse cenário de pandemia, o papel da vacina na saúde global, se tornou o principal instrumento para que isso seja superado.

Análise – Dentre as vacinas presentes no Calendário Nacional de Vacinação, que foram fontes da análise, estão a poliomielite, tríplice viral (primeira dose), BCG, pentavalente, hepatite B (em crianças até 30 dias), hepatite A, pneumocócica, meningocócica C e rotavírus humano.

“É importante que a gente possa incentivar a vacinação. Não existe somente a covid-19, há muitas outras doenças e devemos estar atentos ao calendário de vacinação, seja em crianças, adultos ou idosos”, reforça Monteiro.

Dados – Todas as vacinas apresentaram quedas significativas na sua cobertura nacional entre 2015 e 2019. Os percentuais passaram de valores acima das metas de 90% ou 95% em 2015 para níveis consideravelmente abaixo do recomendado em 2019. A exemplo do ressurgimento de doenças, o vírus do sarampo voltou ao Brasil em 2018, através principalmente de migrantes da fronteira com a Venezuela. Nesse cenário, baixas taxas de vacinação permitiram sua disseminação. Foram registrados 10.330 casos da doença em 2018 e 20.901 em 2019, em diversas regiões do país.

Dados da imunização nos últimos anos

O contexto de queda da cobertura vacinal foi acentuado no Brasil durante 2020, devido à pandemia. E o distanciamento social necessário para reduzir a transmissão do vírus, atrelado ao receio das pessoas em comparecer aos serviços de saúde, acabaram diminuindo as vacinações de rotina e deixaram ainda mais crianças em risco de contraírem doenças preveníveis.

Com exceção da pentavalente, todas as demais vacinas apresentaram quedas preocupantes de cobertura nesse último ano. A maior queda foi da cobertura vacinal de hepatite B em crianças de até 30 dias, com uma perda de 16 pontos percentuais, seguida pela BCG e Tríplice Viral (primeira dose), que sofreram reduções de aproximadamente 14 e 15 pontos percentuais, respectivamente. Com exceção da pneumocócica, os percentuais de cobertura de todas as vacinas analisadas foram inferiores a 80% em 2020.

Ainda de acordo com o estudo, o Brasil possui capacidade, estrutura e experiência para vacinar toda a população de uma forma rápida e eficiente.

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