UFPA divulga comunicado proibindo a assistência médica e alimentação de animais

A coordenadora do “Projeto Peludinhos” da Universidade Federal do Pará, Elizabete Pires, disse, nesta sexta-feira (18), não ter sido comunicada oficialmente sobre a resolução, divulgada pela UFPA, que estabelece novas normas e procedimentos na conduta “com os animais errantes dentro da instituição”. Em sua avaliação, as novas regras dificultam o atendimento realizado atualmente a animais nos campi da universidade.
“Ficamos sabendo através de terceiros”, afirmou. “Isso nos preocupa porque nós temos várias restrições que vão de encontro à lei de proteção ambiental. Não somos servidores da UFPA. Mas, consequentemente, como nós vamos ter a liberdade de alimentá-los?”, questionou. “Temos mais de 20 anos cuidando dos animais de dentro da UFPA. Do primeiro ao sexto portão. Atendemos em torno de 300 animais entre cães e gatos”.
UFPA cita abandonos de animais na UFPA
Considerando “as inúmeras ocorrências com animais abandonados dentro do campus”, a UFPA divulgou comunicado, datado do dia 15 deste mês e assinado pela Coordenadoria de Controle, com a resolução que estabelece normas e procedimentos na conduta “com os animais errantes dentro da instituição”.
A resolução proíbe o abandono de animais nos campi da UFPA e estabelece regras para o controle de entrada e circulação temporária dos animais. Também proíbe a introdução, abandono e a permanência de animais domésticos de companhia, sem prévio registro, em todas as dependências da instituição. Também é proibido alimentar “animais errantes e abandonados” em todas as dependências da UFPA,” exceto em situações transitórias, por servidores previamente autorizados”.
Mais: a entrada de animais domésticos fica condicionada ao registro prévio dos animais e de seus responsáveis.
Diz ainda o comunicado que, a partir da vigência desta resolução, fica vedada a contenção física, a assistência médica, a alimentação ou a doação de animais errantes e abandonados por membros da comunidade acadêmica.
‘Estamos cuidando da saúde pública’
Elizabete Pires explicou que muitos dos voluntários do projeto fazem parte da comunidade acadêmica. “Se existe uma ação proibitiva nesse sentido, isso desfalca muito a gente em um momento crítico de pandemia, em que precisamos de apoio, de ajuda, para prover a vida desses animais”.
Ela citou particularmente um artigo da resolução: “A partir da vigência desta resolução, fica vedada a contenção física, a assistência médica, a alimentação ou a doação de animais errantes e abandonados por membros da comunidade academia”.
“Isso aí é uma coisa que, sinceramente, acho absurda. É um procedimento nosso. Isso é algo muito valoroso porque se a gente leva um veterinário para cuidar de um animal lá dentro, custeando todo o tratamento ou a assistência, sem onerar a UFPA em absolutamente nada, estamos cuidando da saúde pública. Cuidando do animal, estamos cuidando da interação dele com os humanos. É o que a gente fala de saúde coletiva”, afirmou.
“Na primeira vez que eu li, não tinha noção da dimensão do quanto isso pode nos afetar. Eu tenho a expectativa de que a Universidade reveja isso e se manifeste porque sequer fomos ouvidos ou conversaram conosco ou oficializaram este documento. O que sei é que foi passado para as portarias”, pondera Elizabete. “Nós estamos ali como agentes de colaboração, para a Universidade, que tanto prezamos. A gente está ali com a finalidade de colaborar com a Universidade tratando dos animais que há anos frequentam aquele espaço e que eram invisíveis e agora têm a nós que cuidamos da saúde deles e da alimentação deles”.
Ela explicou ainda que o projeto não resgata e nem aceita animais. Apenas os que estão na instituição. O projeto, portanto, não é um abrigo. “A iniciativa nasceu da necessidade de cuidar dos animais que apresentavam muitas necessidades”, afirmou.
Fonte O Liberal



