
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) divulgou nesta quarta-feira, 22, a tabela detalhada do Campeonato Brasileiro de 2020 com fortes indícios de que haverá uma batalha judicial sobre os direitos de transmissão do torneio. Assim como já ocorreu no Campeonato Carioca, o motivo da discórdia é a Medida Provisória 984/2020, assinada pelo presidente Jair Bolsonaro e que passa a dar aos mandantes o direito de transmitir seus jogos. A tabela confirmou os planos do grupo Turner, dono da marca Esporte Interativo e que transmite jogos no canal TNT, de se fazer valer da MP e assim desafiar o entendimento da Rede Globo.
A Globo tem acordo com todos os clubes da Série A, exceto o Red Bull Bragantino, para jogos em TV aberta. Já em TV fechada, seu braço esportivos SporTV tem a Turner como concorrente. O grupo americano mantém contrato com oito agremiações (Palmeiras, Bahia, Santos, Ceará, Fortaleza, Athletico-PR, Internacional e Coritiba) e, em tese, só poderia transmitir as partidas entre eles (56 no total). No entanto, a Turner agora pretende se valer da MP para mostrar todos os jogos de seus clubes como mandante, inclusive aqueles contra times “da Globo”, podendo chegar a até 152 transmissões.
Nesta quarta, a CBF anunciou o duelo entre Palmeiras x Vasco na primeira rodada, em 9 de agosto, com transmissão do TNT, atendendo à orientação da Turner. Antes da MP, esta seria uma das partidas “no limbo”, sem qualquer tipo de transmissão, por chocarem clubes de contratos opostos. Todos os clubes da Série A exceto Fluminense, Botafogo, São Paulo e Grêmio assinaram um manifesto conjunto de apoio à MP (clique aqui para lê-lo). No entendimento deles, a MP tem o objetivo de evitar estes “apagões”. A Globo, no entanto, tem outro entendimento.
A maior emissora do país fez questão de marcar sua posição no Campeonato Carioca, no qual tinha contrato com todos os clubes exceto o Flamengo – que liderou a elaboração do texto da MP em Brasília. O clube rubro-negro se fez valer da medida e transmitiu seu jogo contra o Boavista na FlaTV, seu canal no YouTube, em 1º de julho. Um dia depois, a Globo contra-atacou e rescindiu o contrato alegando “quebra de exclusividade“, por ter direito de transmissão sobre os jogos do Boavista – não do Flamengo. Com uma verdadeira “guerra de liminares”, o imbróglio seguiu até o dia da finalíssima, que acabou transmitida pelo SBT.
Os acordos atuais da Globo, assinados entre 2016 e 2019, portanto antes da media provisória, são válidos até 2024. A emissora entende que contratos previamente assinados devem ser mantidos. Não há consenso entre advogados sobre o tema e os direitos do Brasileirão também devem parar nos tribunais. A MP é válida por 120 dias até ser votada no Congresso, e os 16 clubes a favor dela, liderados por aqueles que mantêm contrato com a Turner, já fazem lobby por sua aprovação no Congresso.
A Turner, que antes vinha em litígio com seus oito clubes parceiros, tomou outras decisões controversas por meio da MP. Na primeira rodada, por exemplo, abriu mão de Bahia x Coritiba, jogo que teria direito a mostrar, mas que aparece na tabela como exclusivo do Premiere. Já na segunda, pretende usar os direitos dos mandantes Coritiba e Palmeiras para exibir, respectivamente, os duelos contra Flamengo e Goiás, dos quais não teria direito. Medidas semelhantes estão previstas para todas as rodadas seguintes, mas tudo pode mudar caso a Globo consiga novas vitórias na Justiça.
Recentemente, PLACAR revelou que a maioria dos clubes da elite apoia a MP e ainda aposta no Red Bull Bragantino como possível “agente do caos” no Brasileirão. Único sem contrato algum com a Globo, o time de Bragança Paulista (SP) estuda transmitir todos os seus jogos como mandante no canal internacional da marca austríaca de energéticos no YouTube, que tem hoje 9,4 milhões de inscritos, quase o dobro da FlaTV. E já conta com o aval dos adversários.
Fonte Revista Placar



