Tarifa de Trump pode derrubar o preço do açaí no Pará ao reduzir exportações para os EUA
Com 80% da produção paraense destinada ao mercado americano, nova tarifa de 50% imposta pelo presidente dos EUA pode represar parte da produção no Brasil e pressionar preços para baixo no mercado interno.
O açaí paraense, um dos pilares da economia extrativista do estado e símbolo da Amazônia no mundo, pode ter seu preço influenciado diretamente por uma nova decisão comercial dos Estados Unidos. O presidente americano Donald Trump impôs uma tarifa de 50% sobre produtos importados do Brasil, afetando o açaí — produto em que o Pará lidera com mais de 90% da produção nacional.
Segundo o Centro Internacional de Negócios (CIN/Fiepa), 80% das exportações de açaí do Pará têm os EUA como destino. Com a nova tarifa, o açaí ficará mais caro para o consumidor norte-americano, o que pode provocar uma queda nas compras externas. Esse cenário pode alterar a dinâmica de preços do fruto no Brasil, já que parte da produção que seria enviada para o exterior ficaria disponível no mercado interno.
Oferta maior, pressão de preços
Com uma maior oferta local do produto, a tendência inicial seria de redução nos preços internos, especialmente no próprio Pará, onde o consumo é alto. Em 2025, o fruto já havia registrado valores recordes, pressionando o orçamento de famílias e comércios. Agora, com a mudança no fluxo de exportações, o mercado pode experimentar uma estabilização ou queda no preço do açaí, caso a oferta realmente supere a demanda interna.
No entanto, especialistas alertam que o efeito não é automático nem garantido. Questões como armazenamento, escoamento, logística e aproveitamento industrial do excedente podem influenciar se os preços realmente vão cair ou se haverá perdas para produtores e cooperativas.
Desafios e oportunidades
A produção do açaí cresceu de forma exponencial: entre 2012 e 2021, o valor exportado saltou de US$ 131 mil para US$ 21,5 milhões, um crescimento superior a 16 mil%. Em 2022, foram exportadas 8.158 toneladas, movimentando US$ 26,5 milhões, com os EUA respondendo por mais de US$ 20 milhões.
Reinaldo Mesquita, presidente do Sindfrutas, lembra que o fruto é fundamental para o interior paraense: “Na safra do açaí, a economia dos municípios dobra. O fruto gera empregos e sustenta milhares de famílias”.
O presidente da Fiepa, Alex Carvalho, defende que o estado avance na verticalização da cadeia produtiva: “Se apenas exportamos a polpa, perdemos o valor agregado. Precisamos transformar o açaí em outros produtos aqui mesmo no Pará. Essa diversificação protege nossa economia de instabilidades como essa”.



