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Suíça anuncia novo aporte de R$ 33 milhões ao Fundo Amazônia durante evento em Belém

Doação foi formalizada no Museu Paraense Emílio Goeldi e reforça a parceria científica entre os dois países nas ações de combate ao desmatamento

O governo da Suíça anunciou, neste domingo (9), a doação de 5 milhões de francos suíços — cerca de R$ 33 milhões — ao Fundo Amazônia. O repasse foi oficializado durante cerimônia no Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), em Belém, como parte da programação preparatória para a COP30.

O evento marcou o lançamento da iniciativa “Presença Suíça na COP30”, destacando o histórico de cooperação científica entre o país europeu e o Museu Goeldi, que há quase 160 anos desenvolve pesquisas na região amazônica.

O diretor do museu, Nilson Gabas Júnior, informou que o MPEG será a base das atividades da embaixada suíça durante a conferência climática. Em contrapartida, a Suíça apoiará a restauração da casa onde viveu o naturalista Emilio Goeldi, dentro do parque.

“O fortalecimento do Fundo Amazônia tem impacto direto na qualidade de vida, no desenvolvimento e na proteção dos povos da floresta”, afirmou Gabas.

O embaixador da Suíça no Brasil, Hanspeter Mock, destacou que o objetivo do investimento é contribuir para o trabalho do governo brasileiro e das instituições de fiscalização ambiental na prevenção do desmatamento ilegal e no combate a incêndios florestais.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que o fundo tem ampliado sua atuação e citou a redução de 50% no desmatamento. Segundo ele, os desembolsos médios anuais subiram de R$ 300 milhões para R$ 1,5 bilhão, alcançando 75% dos municípios da Amazônia.

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, reforçou o compromisso do Brasil de zerar o desmatamento até 2030. Ela destacou que, nos últimos três anos, as ações de controle evitaram a emissão de mais de 700 milhões de toneladas de CO₂.

O contrato de doação foi assinado por Mercadante, Marina Silva, Hanspeter Mock, Nilson Gabas Júnior e Joenia Wapichana, presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).

Cooperação internacional e agenda paralela

Antes da cerimônia, representantes do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) se reuniram com o diretor do MPEG para discutir o projeto CITinova II, que promove o planejamento urbano sustentável e o uso de tecnologias ambientais no Brasil.

O ministro da Ecologia e Meio Ambiente da China, Huang Runqiu, também visitou o parque, onde conheceu espécies da fauna e flora amazônica e conversou com pesquisadores sobre conservação.

Povos tradicionais e soluções climáticas

No Campus de Pesquisa do Museu Goeldi, debates do espaço “Chico Mendes e Fundação Banco do Brasil” reuniram lideranças e especialistas para discutir o papel dos povos tradicionais na mitigação da crise climática.

Participaram nomes como Ângela Mendes, presidente do Comitê Chico Mendes, e Joaquim Belo, do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS). Eles destacaram que a preservação da floresta depende do fortalecimento dos territórios coletivos e das comunidades locais.

“Quando falamos dos territórios, falamos de modos de vida que mantêm a floresta viva. Isso é o que garante a preservação do planeta”, disse Belo.

A programação continua nesta segunda-feira (10) com a apresentação do projeto de restauração da Casa Goeldi, dentro da agenda “Road to Belém”, no Parque Zoobotânico.

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