CORONA VÍRUSECONOMIA

Sindicato dos Lojistas estima que 40% do comércio e 30% das lojas de shoppings de Belém fecharão as portas

As lojas do comércio de Belém poderão fechar as portas em cerca de 40% do total, tanto no centro da cidade, quanto nas periferias capital paraense, após o período de pandemia, de acordo com a previsão do Sindicato dos Lojistas de Belém (Sindlojas). No caso dos shoppings, a estimativa é que 30% não consigam retomar a atividade, após o isolamento social.

A previsão do presidente do sindicato, Joy Colares, é que se o lockdown – fechamento total das atividades não essenciais – for estendido, além do fechamento das lojas por falta de condições de manutenção da atividade, os contratos dos trabalhadores do setor que foram suspensos neste período por 60 dias, sejam encerrados em definitivo. 

O dirigente do Sindlojas explica que a maioria dos empresários supendeu, concedeu férias ou reduziu jornada de trabalho dos funcionários. “Mais 15 dias sem ter receita alguma, os empresários serão obrigados a suspender os contratos”, alerta Colares.

“O grande problema nesse momento é a falta de receita. As empresas estão com zero faturamento”, ressalta Joy Colares.

Empresários não conseguem acesso ao financiamento público para manter a atividade

Segundo o presidente do Sindlojas, o fundo criado pelo governo federal e aprovado pelo Congresso Nacional não está sendo liberado para os pequenos e nem para os médios empresários.

O Congresso aprovou um valor de R$ 1,2 trilhão, que o Banco Central liberou para os bancos públicos e privados  concederem empréstimos às empresas, mas os comerciantes pequenos, de nenhum setor, conseguem nada. 

“Quem vai ser cobrado se esse empréstimo concedido não for pago? As agências não operam. O cenário não aponta otimismo”, se queixa o dirigente lojista.

Para Joy, se o dinheiro do fundo chegasse às pequenas e médias empresas solucionava pelo menos três dos quatro problemas que os lojistas locais estão enfrentando, que são: pagamento de salário, fornecedores, aluguel  e impostos.

Colares explica que é contra o lockdown, mas entende o porquê das medidas tomadas pelo prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho (PSDB) e pelo governador Helder Barbalho (MDB). “Mas, não estão tendo resultado. Os índices apresentados não estão sendo alterados, mudou praticamente 1% entre o resguardo e depois do lockdown”, afirmou.

O presidente do Sindlojas explica que 98% das lojas que a entidade representa são micro e pequenas empresas, a maioria espalhada pela periferia dos bairrros da capital paraense. Grande parte, segundo Joy é empresa de ambiente familiar, onde são formadas por marido mulher e filhos e mais uns três empregados.

Porém, as restrições para funcionar desde 19 de março e em acordo com os empregados do comércio, foi feita redução de funcionamento de 9h às 17h. caindo a jornada de trabalho para sete horas, até 27 de abril.

A partir desta data, o governo municipal proibiu o funcionamento, mas serviços de alimentos, limpeza, saúde e material de construção podia funcionar delivery. No domingo, 10 de maio, o lockdow fez com que tudo ficasse fechado.

Muitas lojas fazem caixa diário, funcionam na periferia e o meio de transação é dinheiro vivo. O fato de ficar uma semana sem faturamento e ainda teremos mais uma semana foi a gota d´água, segundo Colares, que fez o “copo transbordar”. Segundo ele, já havia redução de 60% a 70% da movimentação do comércio de Belém com os shoppings de portas fechadas desde março, com zero faturamento.

E mesmo nos shoppings, o mix de lojas é feito de grandes e pequenas empresas. “Muitas pequenas lojas de shopping não terão condições de retormar as atividades”, assegura o dirigente lojista.

Produtos para o Dia das Mães ficaram encalhados nos estoques das lojas

A medida emergencial aprovada no Congresso para socorrer as empresas foi para 60 dias, mas o empresário que optou tem que garantir o emprego por mais 60 dias, após o retorno. “Se as atividades voltarem serão máximo 20% a 30% do que vendiam. A receita será muito pequena. Como vamos poder assegurar os salários?” questiona Joy Colares, apontando .

O segundo problema é o pagamento de aluguel, que segundo Colares, alguns shoppings não estão cobrando aluguel, outros cobrando de 10% a 15% do valor. Porém, a cobrança do valor do condomínio permanece. Ele estima que cerca de 30% das lojas dos shoppings de Belém vão ficar vazios.

No caso dos lojistas de rua, Joy afirma que a maioria não é proprietário do imóvel e paga aluguel, situação também muito dramática.

O terceiro grande problema do setor é a falta de receita para assegurar o pagamento dos fornecedores. Um exemplo, aponta Colares, foi a compra de produtos para comercializar na semana do Dia das Mães  (2 a 10 de maio). 

Ele explica que a compra geralmente é feita com antecipação e neste caso, os comerciantes adquiriram os produtos em fevereiro, antes da pandemia. “Até dia 27 de abril as vendas não foram efetuadas e o estoque ficou acumulado. Após o dia 10 de maio ficamos proibido até de fazer vendas delivery”, cita.

O quarto problema em primeiro momento, segundo Joy não é dos lojistas, pois não há recolhimento de impostos, sem vendas e sem receita. “Mas, como é que governo municipal, estadual e federal vão conseguir manter benefícios, sem ter receita?”, afirma.

 Ele defende que a atividade econômica não deve parar e que é preciso isolar apenas os grupos de risco. “A juventude, força de trabalho tem que ir pra rua, movimentar a economia”, sugere. Joy Colares afirma que é contra o lockdown, porque o que parou, segundo ele, foi apenas a atividade econômica, as pessoas continuam saindo às ruas.

Fonte Roma News

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