Sem fluxo de visitantes, animais silvestres são vistos em áreas urbanizadas do Parque do Utinga

Em função da pandemia ocasionada pelo novo coronavírus, o Parque Estadual do Utinga Camillo Vianna, um dos principais pontos turísticos de Belém, teve que interromper o fluxo de visitante em suas dependências.
O local é muito frequentado por moradores de Belém que desejam fazer caminhadas, trilhas, andar de bicicleta, se aventurar no rapel, tirolesa, boia cross ou mesmo contemplar a natureza. A área ambiental junto do espaço pertencente à Embrapa Amazônia Oriental e outras duas Unidades de Conservação Estaduais: a Área de Proteção Ambiental da Região Metropolitana de Belém (APA Belém) e o Refúgio de Vida Silvestre Metrópole da Amazônia, formam o maior corredor de proteção da região metropolitana de Belém.
Apesar de estar fechado ao grande público, o parque do Utinga continua a desenvolver atividades, principalmente na área de pesquisa. Entre os projetos estão “Reintrodução e Monitoramento das Ararajubas em Unidades de Conservação da RMB – Belém Mais Linda!”. O projeto visa reintroduzir e monitorar Ararajubas, aves extintas na grande Belém devido ao desmatamento e a urbanização.
ANIMAIS SILVESTRES SÃO VISTOS EM ÁREAS URBANIZADAS DO PARQUE
Sem a circulação de pessoas nas calçadas e ruas do Utinga, animais silvestres estão sendo observados com mais frequências por essas áreas urbanizadas. “Eles passaram a ocupar as áreas abertas que outrora os visitantes utilizavam para ter contato com a natureza”, reforçou a bióloga do Ideflor-bio, Renata Emin.
Essa mudança passou a ser observada a partir do mês de maio, de acordo com biólogos e pesquisadores que atuam no Utinga. Entre as espécies registradas cachorro-do-mato (Cerdocyon thous), capivara (Hydrochoerus hydrochaeris), jibóia (Boa constrictor), quati (Nasua nasua), teiú (Tupinambis teguixin), preguiça-de-bentinho (Bradypus tridactylus), Gavião carijó (Rupornis magnirostris) e outros.
“Não é incomum avistarmos as capivaras em grandes bandos, de seis a sete indivíduos, com vários filhotes, pastando as margens da pista principal”, disse o biólogo Leonardo Magalhães.
“Até mesmo um registro raro de um indivíduo de cachorro-do-mato foi feito por pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi. É a natureza ocupando o espaço deixado com a diminuição do fluxo de visitação”, disse a gerente de Biodiversidade do Ideflor-bio, Nívia Pereira.
REGISTRO RARO DE UM CACHORRO DO MATO
O pesquisador do Museu Goeldi, Arnold Patrick, fez um raro registro. Um cachorro-do-mato foi visto enquanto andava pela pista principal, próximo à trilha Patuá.“Isso demonstra que a pesquisa dentro das UCs é fundamental. É através dela que a gente consegue comprovar a importância desses fragmentos florestais para conservação da fauna e flora”, ressaltou Arnold, que é bolsista de iniciação científica (PIBIC) do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) e atua com pesquisa no Parque, tendo como orientador o pesquisador Dr. Leandro Ferreira.
Com informações da Agência Pará



