O Paysandu está em situação ainda delicada na Série B. São nove jogos sem perder, é verdade. Mas também são nove jogos sem vencer o suficiente para sair da zona de rebaixamento. O time continua na vice-lanterna, e o torcedor, já calejado, sabe onde essa estrada termina se nada mudar: na Série C. E, enquanto o clube agoniza, o presidente Roger Aguilera segue imóvel, como se estivesse administrando um clube de pôquer — e não um clube de futebol profissional.
A impressão que se tem é que Roger está à espera de um milagre. A mesma lentidão que marcou a troca no comando técnico, após insistências fracassadas em Luizinho Lopes, agora se repete com o transferban que paralisa o clube no mercado. O Paysandu é o único time da Série B que não pode contratar, por causa de uma dívida que gira em torno de R$ 400 mil — valor risível para um clube do porte do Papão, ainda mais considerando o tamanho do prejuízo esportivo que essa paralisação pode causar.
A diretoria diz que vai resolver “no tempo certo”. Mas que tempo é esse? O mercado já se mexeu, os adversários já se reforçaram. Enquanto isso, o Paysandu observa, apático, os nomes que poderiam ajudar o clube escaparem pelas mãos. O time precisa de peças, especialmente após perder Rossi e Vargas por lesão. E o elenco, apesar dos esforços de Claudinei, é limitado. Não basta empatar — é preciso vencer. E sem reforços, isso vai se tornando cada vez mais difícil.
Roger parece governar o Paysandu com um misto de soberba e desinformação. Age como se não houvesse urgência, como se a pressão fosse exagero da torcida, como se a permanência na Série B fosse uma questão de fé — e não de planejamento e ação concreta.
A conta já começou a chegar. E se a omissão continuar, a Série C será o destino natural.
O Paysandu não precisa de um presidente decorativo. Precisa de alguém que saiba onde está, que sinta a dor do torcedor e que entenda que o tempo, no futebol, não perdoa. E esse tempo está acabando, Roger.



