O Pará, que possui o segundo maior rebanho bovino do Brasil, com 24,84 milhões de cabeças, está prestes a transformar sua cadeia produtiva. Um estudo da Bain & Company e da The Nature Conservancy (TNC) aponta que a implementação de um sistema de rastreabilidade individual obrigatória pode aumentar a receita da pecuária paraense em até US$ 1 bilhão nos próximos cinco anos.
A rastreabilidade não apenas ampliaria o volume das exportações, mas também reduziria a informalidade e aumentaria a produtividade do rebanho, consolidando o Pará como referência em pecuária sustentável e livre de desmatamento.
Segundo o estudo, a adoção do sistema pode aumentar o valor da produção de carne bovina no estado em até US$ 230 milhões e elevar o preço da arroba do boi em até 8%, gerando receitas adicionais de US$ 70 milhões a US$ 160 milhões. Além disso, uma gestão mais eficiente da cadeia produtiva, possibilitada pelo rastreamento, poderia reduzir a parcela de carne destinada ao mercado informal em até 80%, acrescentando entre US$ 200 milhões e US$ 330 milhões à produção estadual.
A produtividade do rebanho também seria beneficiada, com avanços de 5% a 10% nos índices de manejo, fertilidade e peso dos animais, contribuindo com um acréscimo de até US$ 224 milhões.
Para viabilizar essas metas, o governo do Pará lançou, em setembro de 2024, o Sistema de Rastreabilidade Bovídea Individual do Pará (SRBIPA), que busca identificar todo o rebanho até 2026. Atualmente, iniciativas de rastreabilidade no estado utilizam ferramentas como o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e Guias de Trânsito Animal (GTAs), promovidas principalmente pela iniciativa privada.
“Implementar esse programa em um estado com a dimensão do Pará é uma oportunidade única para mostrar ao mundo que é possível produzir carne de qualidade sem desmatar a Amazônia”, destacou Melissa Brito, chefe de estratégia de conversão zero de commodities da TNC.
Benefícios ambientais e sociais
Além do impacto econômico, a rastreabilidade reforça o compromisso do Pará com a preservação ambiental, contribuindo para a redução do desmatamento ilegal e o fortalecimento de práticas de manejo sustentável.
Com um mercado internacional cada vez mais exigente quanto à origem e às condições de produção da carne, o programa promete transformar a imagem do estado e atrair investimentos para o setor.



