OPINIÃO

Quem tem medo da liberdade?

Por Bernardino Greco

O termo liberdade é muito utilizado, embora pouco compreendido, sendo comum sua menção apenas como direito, ignorando a responsabilidade que o acompanha, imposta ao titular do direito e também ao Estado, cuja existência está umbilicalmente atrelada à necessidade de assegurá-la, juntamente com os direitos à vida e à propriedade. Outros direitos foram concedidos progressivamente aos cidadãos, com a consequente responsabilização do Estado.

Ocorre que o Estado não gera riquezas, retirando do cidadão (pagador de impostos), portanto, os recursos necessários para suportar as responsabilidades assumidas. Sim, todo direito possui um custo. O benefício é sempre propagandeado. Tudo pelo bem e proteção do cidadão. Mas, paradoxalmente, quanto maior o protetor, menor a proteção.

É lógico que não há qualquer mal no reconhecimento de um direito e assunção da correspondente responsabilidade (e custo). A condição para isso, contudo, é a existência de recursos.

Para cada direito criado ou reconhecido, há um correspondente dever que deverá suportado pela sociedade. E mais uma vez o paradoxo: quanto mais direitos, mais deveres. E quanto mais deveres, menos liberdade. A consequência disso é a menor efetividade dos próprios direitos.

Com a redução da liberdade e com menos recursos em mãos (gradativamente tomados pelo poder público) serão menores o estímulo para empreender e o número de vagas de trabalho, obrigando que cada vez mais pessoas recorram ao Estado por alguma forma de apoio assistencial, eternizando um ciclo que escraviza significativa parcela da população.

Afogado em dívidas e sem condições de suportar mais obrigações, o cidadão ainda toma conhecimento de que parte do dinheiro é desviada por muitos membros do poder público. A insatisfação e o protesto são certos.

A reação dos governantes contra acusações de inaptidão gerencial ou corrupção é a tentativa de calar aqueles que choram, gritam e denunciam. O fechamento da imprensa não cooptada, a regulação da internet, o cerceamento da liberdade de expressão, a perseguição a jornalistas, opositores e, em último grau, quaisquer pessoas que manifestem desapreço ou neguem apoio às suas práticas.

A liberdade popular, de pensamento e expressão, assusta principalmente aquelas pessoas que querem um Estado gigantesco, supostamente protetor, mas benéfico somente com a casta que o administra.

Políticos como Sarneys, Barbalhos, Calheiros e tantos outros cujas vidas foram dedicadas e construídas na política e na suposta preocupação com o bem do povo são um verdadeiro câncer para o país.

O combate à pandemia evidenciou o pior de todos eles. A arbitrariedade, a tirania, a indiferença e o oportunismo de sempre. Os escândalos de corrupção estão aí nos jornais, blogs independentes e na internet livre, para que todos vejam, com indignação, revolta ou simples vergonha. Essa gente jamais adota boas práticas, preferindo o apelo ao populismo com ações no melhor estilo “pão e circo”, como doação de valores a times de futebol ou mesmo a reforma de estádios, para destacar exemplos caseiros.

No Pará, para usar mais um exemplo próximo, chegou-se a sancionar uma lei (9.051, de 8/05/2020) implantando verdadeira mordaça, não somente na imprensa, mas aos cidadãos que utilizam a internet e compartilham postagens, atribuindo-lhes responsabilidade criminal (o que está fora da competência estadual). A justificativa foi o combate às chamadas “fake news”, mas sabe-se que a preocupação nunca foi com as mentiras, mas com as verdades que outros veículos de imprensa já comprometidos não divulgam.

A máquina estatal foi posta a serviço do mal, com a perseguição de blogueiros e administradores de sites livres.

A história já nos mostrou que o poder desmedido nas mãos dessa gente dificilmente retrocede ao seu exercício regular, mesmo que sejam sucedidos por outros, de outras bandeiras ideológicas. Afinal, o próprio exercício do poder é inerente à natureza humana, inebriante para mentes doentias.  

Por essa razão eles têm medo da liberdade e odeiam aqueles que a defendem, pois sabem que quanto maior o cidadão, menor o Estado e as oportunidades de abuso de poder.

Quanto maior a circulação de ideias, o acesso à informação, a pluralidade de fontes, menor o controle de narrativas por parte de políticos com tendências abusivas e acesso à tradicional grande imprensa, cujo domínio decorre de acordos e mesmo de propriedade.

Para esses governantes, sem opções de ganho (porque nunca produziram), o melhor discurso é o da eternização desse sistema paternalista, mentiroso, populista e escravizador.

Bernardino Greco é advogado, ativista liberal e membro do Partido Novo. Veja mais em:

https://linktr.ee/bernardinogreco

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