No início da tarde desta quinta-feira, 09, chegou o fim o caso de assalto com refém que paralisou Belém. Yan Carlos, de 27 anos, liberou a mãe dos meninos última refém mantida no veículo. Ao todo, foram 17 horas de negociação que envolveram agentes e psicólogos da Polícia Militar, além da presença de familiares das vítimas e do criminoso.
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Ele abordou um carro de aplicativo onde estava Ana Júlia, de 23 anos, e seus três filhos de 3, 7 e 12 anos.
Familiares e amigos de Yan Carlos apontam que ele sofre de algum distúrbio ou doença da mente que ainda não teria sido devidamente diagnosticada. O rapaz teria entrado em surto nesta quarta-feira (8).
Lorena Monteiro, tia do rapaz, diz que tudo começou enquanto ele ainda tinha 5 anos e perdeu a mãe, irmã dela. Vários surtos foram registrados, no entanto, nunca havia ocorrido algo com um viés violento ou criminoso.
Lorena afirma que o sobrinho trabalha com porcelanato, granito e mármore. Ele estava morando, há algum tempo, em Santa Catarina e atuando nessa área. Ele tinha uma companheira, morava num apartamento e vivia uma vida normal. Só que algo ocorreu entre o casal e a mulher resolveu encerrar o relacionamento. Esse foi o segundo trauma. Foi quando ligou para a família e disse que queria voltar a Belém para buscar tratamento psicológico. Desde então, a família ficou à espera do retorno dele.
Apesar de anunciar a volta, a família ficou sem contato com ele. Na segunda-feira, 06, ele reapareceu após a família ir em programas de TV em Belém pedir ajuda para localizá-lo. Lorena diz que ele apresentava mais sinais de transtornos, como achar que estava sendo perseguido e que tinha pessoas ameaçando ele. Nada disso se comprovava.
Já o pai de Yan diz que há muito tempo a família buscava atendimento psicológico e psiquiátrico, mas nunca conseguiu atendimento. Para o pai e para a tia, que acompanharam toda a negociação, dizem que não conseguiam ambulâncias e apoio para conduzi-lo ao Hospital de Clínica Gaspar Vianna, que é referência no Pará para atendimento de saúde mental.
Após a resolução do caso, a expectativa é de que, além da responsabilização individual dos crimes cometidos por Yan, ele deve ser submetido a exames que possam comprovar os transtornos sofridos por ele e início do tratamento adequado, caso seja necessário.



